sexta-feira, 22 de junho de 2012

Programa Peixe vivo reúne pescadores da região de Três Marias (MG)


Dois mil pescadores profissionais participam do programa Peixe Vivo, liderado pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), na região de Três Marias (MG). As primeiras ações do programa foram iniciadas em 2007, nos municípios de Abaeté, Biquinhas, Morada Nova de Minas, Paineiras e Pompéu, e, posteriormente, foram estendidas a outras regiões do estado. O projeto tem como objetivos promover a conservação das bacias hidrográficas e da ictiofauna (conjunto das espécies de peixes de uma determinada região), além de produzir conhecimento científico e envolver a comunidade.

A Cemig iniciou estas atividades para evitar os acidentes provocados pelas partidas de unidades geradoras e drenagem de máquinas na usina hidrelétrica. Em 2002 e 2004 a mortandade de peixes chegou a mais de 11 toneladas. Consequentemente, os valores de multas recebidas, em decorrência dos acidentes, aumentaram ao longo dos anos, saindo de R$ 100 mil em 2002 para cerda de R$ 10 milhões em 2007.

A solução implantada pela Cemig foi oficializar uma instrução de serviço específica para os funcionários das usinas. Essa instrução inclui os aspectos ambientais no planejamento das manobras, além da obrigatoriedade de comunicação prévia à Polícia Florestal e ao Ministério Público. A metodologia de avaliação prévia de riscos à ictiofauna foi desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O trabalho foi estendido para outras comunidades no entorno das 59 usinas hidrelétricas da Cemig em Minas Gerais, Espírito Santo e Santa Catarina. Um dos dispositivos utilizados foi orientar o pescador para entrar em contato com um funcionário, quando avistar um cardume em direção à usina.

O resultado da implantação do programa peixe vivo foi a redução em 87% na mortandade de peixes/mês. Não houve registro de nenhum grande acidente, sendo que, em 2011 ainda foi registrada 1,5 tonelada de peixes mortos, sendo a maioria de peixes que conseguiram acessar o tubo de sucção, mesmo com a turbina ligada.

A Cemig está estudando uma solução para este problema. Uma das opções foi desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Lavras (UFLA): o uso da telemetria acústica. Este método utiliza uma marcação do peixe com um pequeno aparelho sonoro, o qual emite sons e cria uma imagem tridimensional do animal na água. Esses sinais permitem o acompanhamento do caminho percorrido pelo peixe até a usina.


Escola de Barco à Vela e Pescadores do Saber


O Peixe Vivo inclui ainda dois projetos para crianças, jovens e adolescentes. A Escola Barco à Vela, que promove Iniciação esportiva, educação complementar e capacitação profissional, foi desenvolvida a pedido das comunidades e segue os moldes do Projeto Grael 
, criado pelos irmãos Lars e Torben Grael e o velejador Marcelo Ferreira, em Niterói (RJ).

A escola atende, por semestre, 150 crianças e jovens, com idades entre nove e 24 anos. São oferecidas aulas de natação, vela, remo, educação ambiental, turismo e manutenção de motores de popa.

O segundo projeto, Pescadores do Saber, é realizado em parceria com a Universidade Federal de Lavras (UFla). Durante as aulas, os alunos tem acesso aos estudos desenvolvidos no Laboratório de Ecologia de Peixes da Universidade. As aulas tem duração de 50 minutos e o curso atende 300 crianças entre seis e 11 anos, matriculadas do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental. Além disso, o projeto investe na produção científica de alunos da graduação, mestrado e doutorado.


Fonte: Estado de Minas 

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