quinta-feira, 29 de março de 2012

Seminário discute aspectos econômicos da piscicultura no Tocantins

Estimular a produção de Peixes no Tocantins e em todo o Brasil e demonstrar a viabilidade econômica da atividade. Este foi o tema do Seminário “Caiu na Rede é Lucro”, realizado no dia 26 de março, pela FAET - Federação da Agricultura e Pecuária, Senar/TO – Serviço de Aprendizagem Rural do Tocantins e CNA – Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil. O evento faz parte da programação do “Ano da Multiplicação dos Peixes”, que foi lançado em novembro de 2011 pela Senadora Kátia Abreu, com o objetivo de proporcionar o aumento da produção. O Tocantins produz, atualmente, sete milhões de toneladas ao ano, e a meta é atingir 15 milhões de toneladas até o final de 2012.

Durante o seminário, a Senadora afirmou que a primeira ação da Federação foi reunir produtores e a indústria para identificar as principais necessidades do setor. O licenciamento ambiental foi identificado como um item importante a ser resolvido. Para isso, a legislação específica foi regularizada, através da Resolução nº 27 do Conselho Estadual do Meio Ambiente, que estabelece normas e critérios para o licenciamento ambiental da aquicultura no estado do Tocantins e visa o desenvolvimento sustentável da atividade. Uma vez credenciado, o produtor, além de demonstrar os requisitos técnicos, poderá ter acesso ao crédito para financiar sua produção.

O Chefe da Embrapa Pesca e Aquicultura, Carlos Magno Campos da Rocha, enfatizou as potencialidades do Tocantins, que possui clima favorável o ano inteiro para a piscicultura e atrai empreenderes de todo o país: “a região é a segunda maior bacia hidrográfica do Brasil, com 120 mil hectares de lâmina de água em barragens , 25 mil hectares de áreas propícias a instalação de viveiros e grandes lagos recentemente construídos”.

Carlos Magno ressaltou que hoje o estado ocupa o 24º lugar no ranking dos produtores de peixes do Brasil: “a meta é colocar o Tocantins entre os cinco primeiros. E para isso é importante aplicar a tecnologia, organizar a cadeia produtiva, incentivar o credenciamento e agregar valor ao produto”.

A piscicultura favorece, também, outros ramos do agronegócio. Para cada 1000 hectares de lâmina de água são necessários 14.000 hectares de cultivo de milho e soja para a fabricação de ração. “A ração representa em torno de 60 a 70% do custo da produção do Tambaqui (Colossoma macropomum ), e uma das ações da Embrapa é proporcionar a qualificação técnica para a produção da ração no Estado e aumentar a lucratividade do negócio”, exemplificou Rocha.

Viabilidade Econômica Mundial

Em palestra proferida no evento, o economista do BNDES, José Alves Júnior, afirmou que a demanda por pescados cresceu muito nos últimos anos e a previsão do comércio de produção até 2030 é para dois milhões de toneladas por ano. “Deste mercado, vinte por cento de tudo o que é produzido é para exportação entre países, do ponto de vista do comércio exterior”, argumentou.

“O preço médio da tonelada teve um aumento de 55% no período de 2001 a 2008, sendo o valor inicial de US$ 2.044,60 e o final de US$ 3.174,40. Estes números revelam que a próxima fronteira de produção de proteína animal no mundo é o peixe”, explicou Alves.

Neste contexto, o economista destacou que o licenciamento ambiental é de extrema importância para que o os piscicultores do Estado estejam aptos para concorrer com o mercado mundial, que tem uma política de comércio exterior agressiva. “O credenciamento demonstra que há um padrão ambiental elevado, como vantagem competitiva, qualificação e formalização da mão de obra, e é uma estratégia para os produtores”, concluiu.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Feira Internacional da Pesca e Aquicultura será realizada em novembro de 2012

O III Aquapescabrasil, Feira Internacional da Pesca e Aquicultura, considerado o maior encontro dos setores no Brasil, será realizado nos dias sete, oito e nove de novembro de 2012, no Centro de Convenções de Salvador, BA. O evento será promovido pelo Sindipi, Sindicato de Armadores e da Indústria Pesqueira, em parceira com a Bahia Pesca, empresa vinculada à Seagri, Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Governo do Estado da Bahia.

A Feira será composta por dois setores para exposição de produtos e serviços da cadeia produtiva da Pesca e Aquicultura, com a finalidade de fomentar a indústria no Brasil. Para isso, destinará espaços para palestras, cursos de capacitação, debates nacionais e internacionais e workshops gastronômicos, focados no incentivo ao consumo de pescados.

Os principais objetivos do Aquapescabrasil são: reunir e promover a integração dos diferentes segmentos profissionais relacionados à indústria da pesca, sustentabilidade, aquicultura e meio ambiente; expor produtos e serviços para gerar oportunidades de negócios; e apresentar os rumos e tendências do setor. Durante o evento, além da apresentação de trabalhos científicos, será realizado o III Simpósio Internacional de Aquicultura e Pesca – SIAP BRASIL.

De acordo com informações divulgadas pela Bahia Pesca, nas duas edições anteriores do Aquapescabrasil, realizadas em Itajaí, Santa Catarina, participaram 19 países, 131 expositores e 69 palestrantes e foram apresentados 100 trabalhos técnico-científicos. Para a terceira edição, estima-se receber 10.000 visitantes, entre armadores, empresários e investidores; políticos; entidades financeiras; profissionais e pescadores artesanais; acadêmicos e instituições que atuam no segmento de pesca, aquicultura e seus subprodutos, bem como meio ambiente e sustentabilidade.

Mais informações: Aquapescabrasil; Bahia e Pesca - Agricultura e Pesca para o Desenvolvimento da Bahia; Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Inscrições para AquaCiência 2012 vão até sexta-feira

Pesquisadores, professores, estudantes e demais especialistas em aquicultura ou biologia aquática têm até a próxima sexta-feira, 16 de março, para inscrever seus trabalhos no maior evento científico brasileiro dessas áreas.

O 5º Congresso da Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática (AquaCiência 2012) será realizado entre os dias 1º e 5 de julho na cidade de Palmas (TO).

Os interessados devem fazer suas inscrições e enviar resumos por meio do site do evento. Os pagamentos de inscrições efetuados até o dia 16 de março terão desconto. Cada autor pode submeter até quatro resumos.

Os trabalhos apresentados no Aquabio 2012 serão submetidos para publicação em um fascículo a ser lançado no Journal of the World Aquaculture Society (JWAS).

A edição deste ano do AquaCiência será organizada pela Embrapa Pesca e Aquicultura, sediada em Palmas, terá como presidente do evento o chefe geral da Unidade, Carlos Magno Campos da Rocha.

Tocantins

Banhado pela bacia do Araguaia-Tocantins, a segunda maior do Brasil, o Estado do Tocantins é um dos mais promissores para as atividades aquícolas. Será o primeiro estado da região Norte a sediar uma edição do AquaCiência.

Em 2009, o Estado recebeu uma unidade de pesquisa da Embrapa especializada em pesca e aquicultura e que desenvolverá trabalhos científicos dessas áreas para todo o País.

Detentor de uma natureza em boa parte ainda intocada, o Tocantins abriga o Parque Estadual do Jalapão, a Ilha do Bananal e inúmeras cidades-balneário banhadas por cachoeiras ou por rios que formam longos trechos de praias.

terça-feira, 6 de março de 2012

Embrapa começa a fazer catálogo de peixes

Um catálogo com imagens e informações de espécies de peixes do lago da Usina Hidrelétrica de Lajeado começou a ser elaborado pela Embrapa Pesca e Aquicultura, em Palmas (TO), com apoio do Ministério da Pesca e Aquicultura e em parceria com a Universidade Federal do Tocantins (UFT).

A publicação incluirá fotografias dos animais coletados e dos filés ou postas produzidas a partir daquela espécie. Também haverá informações como descrição da espécie, nome científico, nome vulgar e o tipo de alimentação. Outro dado importante que poderá ser oferecido é a composição centesimal que especifica a quantidade de nutrientes que há em uma porção de 100 gramas de amostra.

"Com isso, podemos identificar espécies que proporcionem alto valor nutricional aliado a um bom rendimento da carcaça”, explica a pesquisadora Patrícia Mochiaro da Embrapa Pesca e Aquicultura apostando no potencial de espécies ainda pouco conhecidas do mercado consumidor.

Mandi moela (Pimelodina flavipinnis), mapará (Hypophthalmus marginatus) e cuiu-cuiu (Oxydoras niger) estão entre as espécies mais promissoras avaliadas pela pesquisa. O trabalho se inicia com a coleta dos animais no lago da Usina, tarefa executada pela UFT. No laboratório, os peixes são pesados e medidos e após a evisceração é feita a relação da proporção de vísceras e filés obtidos.

“No mapará, por exemplo, o filé chega a representar até 70% do total da carcaça, um rendimento considerado excelente para um peixe”, avalia Patrícia. O catálogo ainda trará uma sugestão de preparo culinário adequado para cada espécie que será desenvolvido por profissionais de gastronomia.

Outro dado coletado é a cor das carnes filetadas. Trata-se de uma informação importante e que está associada a certos padrões de consumo. Para o salmão, por exemplo, a preferência popular aponta para tons mais alaranjados, já com o atum, as tonalidades mais avermelhadas são mais valorizadas no mercado.

A leitura da cor é feita por um colorímetro digital. “Fazemos três leituras de pontos diferentes da peça para obter uma média”, esclarece Leandro Kanamaru, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura que também participa do projeto. O instrumento, de acordo com o especialista, fornece medidas objetivas dos espectros de cor o que permite distinguir diferenças sutis entre os filés de cada espécie.

A palatabilidade, ou o sabor de cada peixe, também será avaliada através de análises sensoriais que vão sondar a aceitação do produto junto ao mercado consumidor.

Fotografia de peixes

Os animais são também fotografados, assim como os seus filés e os pratos elaborados com ele. Para isso, a Embrapa Pesca e Aquicultura conta com o apoio do Ministério da Pesca e Aquicultura com recursos para a aquisição de equipamentos fotográficos e para a montagem de um laboratório de fotografia especializado em espécies aquáticas.

Patrícia acredita que o trabalho de registro das espécies é importante em vários aspectos, serve de registro científico da fauna aquática nesse ambiente, auxilia no levantamento de informações sobre os peixes e pode gerar descobertas de novas espécies interessantes para a indústria do pescado.

“Podemos aliviar a pressão de pesca sobre as espécies atualmente consumidas e encontrar novos peixes que poderão compor o prato do brasileiro”, aposta Patrícia ressaltando a imensa diversidade de espécies que habitam as águas do País.