quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Presença de peixe na merenda escolar de Manaus dobra em um ano e atinge 85%



Fonte: UOL Economia (André Cabette Fábio – Maués, AM)
 
A presença de peixes na merenda escolar de Manaus mais do que dobrou no último ano. Hoje, cerca de 90 mil alunos ou 85% do total das escolas públicas da zona metropolitana da cidade contam com peixes no cardápio, enquanto que o índice era de 40% no ano passado.

Segundo Raimundo Nonato, superintendente do Ministério da Pesca e Aquicultura no Amazonas, o aumento é resultado da implantação do Preme (Programa de Regionalização da Merenda Escolar). Antes, as crianças comiam principalmente carne vermelha e frango.

Agora, as 350 toneladas de peixe consumidas anualmente pelos estudantes da rede pública representam um mercado de R$ 2,1 milhões, que encontra falta de fornecedores.

"Falta produto porque temos poucos frigoríficos no Amazonas, e eles trabalham no limite para nos abastecer", diz Nonato.

Segundo o superintendente, a produção estadual deve somar neste ano 180 mil toneladas de peixes, 12% a mais que em 2012.

Apesar de ser o Estado com o maior consumo per capita de peixes do país --com 45 kg por ano na capital e 120 kg no interior do Estado--, o Amazonas tem apenas seis frigoríficos com certificado sanitário para trabalhar com pescado, o que comprova que o produto atende aos padrões de higiene exigidos por lei e permite que as empresas vendam para a rede pública.

Nutricionista destaca qualidades e cuidados com conservação

Para Elizabeth Cardoso, nutricionista-chefe do Incor (Instituto do Coração), a adição do peixe à merenda escolar é uma escolha "excelente". "O peixe é ótima fonte de proteínas e minerais, aliado ao fato de na Amazônia haver disponibilidade do produto e a sua carne ser magra. Mesmo os peixes mais gordos possuem gorduras de boa qualidade", afirma.

Ela afirma, no entanto, que a carne do peixe estraga com facilidade e que é necessário mantê-la congelada de -18ºC até -11°C. Quando descongelada, a carne deve ser refrigerada a temperaturas de no máximo 2°C por até três dias.

Além disso, afirma que, no caso de compras de instituições como escolas e hospitais, é necessário realizar visitas técnicas para verificar se os fornecedores manipulam os alimentos de forma correta.

Com adequação à legislação, frigorífico aumenta vendas em 48% em 2013

Aproveitando a procura por produtos com atestado sanitário, Valmor Venâncio, da cidade de Maués (AM), adaptou seu frigorífico no começo do ano às exigências legais e fornece peixes processados, como o aracu, à rede pública por R$ 6,90 o quilo.
O pescado é vendido para merenda sob a forma de picadinho, como é chamada a carne moída do peixe, que serve para o preparo de almôndega, sopa e bolinho, por exemplo. O picadinho também pode ser cozido com temperos ou misturado ao arroz.

Com as mudanças na estrutura, o frigorífico de 22 funcionários passou a vender para o governo e ampliou o número de clientes, o que aumentou sua produção de 235 toneladas por ano em 2012 para cerca de 350 toneladas em 2013.

Hoje, as escolas públicas respondem por 10% do mercado da empresa. O restante é entregue a feirantes de Macapá (AP), Maués e Manaus, por meio de dois barcos próprios.

Os peixes são provenientes principalmente da região de Maués, mas, no caso do pirarucu, cuja pesca é controlada, a empresa chega a trazer o peixe de uma distância de 780 km, da reserva Mamirauá.

Para 2014, a empresa tem planos de expandir as vendas para outros Estados, como o Pará.

Para se adequar a normas, produtor precisa contratar veterinário

Para atender à rede pública de ensino, Venâncio conta que fez investimentos de cerca de R$ 1 milhão em máquinas e mão de obra qualificada. A verba veio através da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas.

Isso porque a rede exige produtos com o SIE (Selo de Inspeção Estadual), concedido a estabelecimentos que devem seguir normas sanitárias, industriais e ambientais.
Isso inclui, por exemplo, o uso exclusivo de bancadas de aço inox para o corte do peixe, a pintura das paredes com tinta branca e a contratação de um veterinário responsável por acompanhar o processamento dos peixes.

As espécies usadas para fazer o picadinho que vai para a merenda escolar são aracu, tambaqui, aruanã e jaraqui.

No processamento, o primeiro passo é partir o animal pelas "costas" e remover as vísceras e a cabeça.

Depois disso, o peixe é lavado para a retirada do sangue e da gordura. Uma máquina que se parece com um moedor de carne é usada para separar o peixe das escamas e das espinhas.

A carne de peixe é então embalada, pesada e mantida em congelamento a -25ºC por cerca de 12 horas. Em seguida, é estocado numa câmara a -12°C, de onde é enviado para a venda.

Além do picadinho, o Frigorífico Maués também vende peixes sem as vísceras e filé de peixe.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Produção de peixes ornamentais



A criação de peixes ornamentais difere da piscicultura de peixes de corte quanto às dimensões e tipos de estruturas utilizadas. O Brasil conhece pouco o potencial de mercado de criação de peixes ornamentais. A atividade ainda tem um perfil de agricultura familiar, mas a piscicultura ornamental é uma opção de investimento rentável para os interessados em iniciar uma atividade no agronegócio. O processo de licenciamento e regularização dos empreendimentos é complexo e os custos são elevados. Apesar das dificuldades, iniciativas de sucesso têm sido articuladas entre profissionais das diferentes instituições envolvidas com o setor.

São mais de duas mil e quinhentas espécies aptas para o comércio. Na piscicultura ornamental podem ser utilizadas diferentes estruturas, como os viveiros escavados em terra e protegidos com tela antipássaros. O criador também pode optar por pequenos tanques revestidos por material impermeabilizante e localizados dentro de ambientes protegidos, como as estufas. Outra alternativa é usar aquários e caixas d’água em galpões cobertos e com sistema de filtragem e reutilização de água. A escolha da estrutura de criação depende de alguns fatores: capital disponível, valor de comercialização dos peixes que escolheu para compor sua carteira de espécies e tempo disponível para se dedicar à arte de criar e aperfeiçoar os peixes ornamentais. Tudo isso deve ser considerado pelo piscicultor, porque o mercado consumidor pagará preços melhores por peixes que apresentem boa conformação, saúde, porte adequado e coloração características de suas linhagens ornamentais.

O pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Fabrício Pereira Rezende, afirma que “a utilização de tecnologias apropriadas vai resultar na produção de peixes ornamentais com alto padrão genético, saudáveis e em escala e custos de produção competitivos. A tecnologia adequada não implica em custo elevado”. Por isso, a importância da escolha do tipo de peixe, construção de infraestruturas, manejo reprodutivo e nutricional de cada grupo, bem como os cuidados nas fases de despesca, seleção e embalagem para transporte.

O Dia de Campo na TV sobre Produção de peixes ornamentais foi produzido pela Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas/TO) e pela Embrapa Informação Tecnológica (Brasília/DF), unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Serviço:
Este programa vai ao ar na sexta-feira, 13 de dezembro, pelo Canal Rural (Net/Sky), a partir das 9h. No domingo, 15 de dezembro, às 7h, pela NBR (TV do Governo Federal, captada por cabo ou por parabólica), com reprise às 17h.
Saiba mais sobre o Dia de Campo na TV: http://www.embrapa.br/diacampo
Videoteca Embrapa: http://www.youtube.com/user/VideotecaEmbrapa

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Piscicultores familiares do Tocantins recebem balanço do projeto Divinópolis



Dezembro é mês de balanço para os piscicultores familiares dos municípios tocantinenses de Abreulândia e Divinópolis. No último dia 4, cerca de 30 produtores reuniram-se com pesquisadores da Embrapa Pesca e Aquicultura no auditório municipal de Divinópolis para debater os resultados do monitoramento técnico realizado junto a dez piscicultores familiares desde o início da produção.

A pesquisadora Patrícia Maciel relembrou as etapas de construção do projeto que surgiu das demandas levantadas pelos próprios produtores, por meio de um diagnóstico participativo. Os piscicultores ressaltaram os pontos mais importantes e os que estariam relacionados à área de atuação da Embrapa, como por exemplo: a inadequação dos viveiros, a qualidade da água, manejo inadequado e dificuldades de venda da produção, entre outros tópicos.


O processo de triagem das pisciculturas monitoradas foi realizado de forma participativa, com escolhas feitas pelos próprios produtores e baseadas em critérios técnicos. Ao todo, dez piscicultores foram selecionados e capacitados para registrar diversos parâmetros fundamentais para o controle da criação como temperatura, nível de oxigênio e transparência da água, medição e pesagem periódica dos peixes (biometria), registro da quantidade de ração dispensada a cada dia etc.


Esses dados geraram uma enorme base de dados que serviu para analisar o desempenho de cada piscicultura. Os resultados técnicos foram mostrados pela pesquisadora Adriana Lima aos produtores. “Percebemos, por exemplo, uma alta mortalidade num viveiro no qual não foi feita a calagem”, contou a especialista que explicou o processo em cadeia gerado a partir daí.


Sem a calagem, segundo narrou Adriana, ficou difícil controlar a alcalinidade da água, como consequência, os fitoplânctons, pequenos vegetais que habitam a superfície, não se fixaram no viveiro. Sem eles, a água ficou muito transparente o que provocou o surgimento de plantas no fundo do viveiro, as quais disputaram oxigênio com os peixes da criação. Para piorar, os fitoplânctos produzem oxigênio e sem eles, portanto, a água fica com níveis muito baixos desse gás vital, o que mata os peixes por asfixia.


Os produtores escutaram atentos a apresentação e participaram do balanço da produção do ano. “Nossa grande dificuldade foi a venda no mês de julho, um mês que ninguém costuma comprar peixe, pois é temporada de pesca em todo o estado”, contou Arnezil da Silva um dos produtores acompanhados pelo projeto.


Ao abordar o problema em sua apresentação, o pesquisador em economia Manoel Pedroza, sugeriu que os produtores escolhessem uma época ideal para fazer a despesca, a qual aliasse o melhor ganho de peso possível com a demanda sazonal do mercado. “Se vocês têm facilidade em vender peixes menores, talvez seja vantagem retirá-los um pouco antes e vendê-los bem em vez de esperar o peso máximo para despescar numa época de vendas fracas, por exemplo”, explicou Pedroza.


O acompanhamento da produção e a capacitação proporcionada pelo projeto de pesquisa mudaram os resultados da piscicultora Marinete Correia dos Santos Rodrigues. “Depois que participei dos dias de campo e comecei a fazer o manejo direitinho, os peixes pararam de morrer, aumentaram de tamanho e a produção cresceu”, contou a produtora.


Fonte: Embrapa Pesca e Aquicultura – Fábio Reynol 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Ruraltins incentiva beneficiamento de pescado no Sudeste do Estado



(Fonte: Ruraltins - Alaides Cardoso)

A região sudeste do Tocantins tem se despontado como polo de produção no ramo da piscicultura, sendo responsável por cerca de 50% da produção de pescado do Estado. Um dos municípios de maior destaque é Almas, com 41 piscicultores e uma produção anual de 10 mil toneladas. A estimativa é movimentar cerca de R$ 60 milhões por ano.

Diante de todo esse potencial, o governo do Estado, por meio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins) vem incentivando e orientando os pequenos piscicultores da região quanto ao beneficiamento da carne de peixe. De acordo com o extensionista, João Filho, gerente do órgão em Almas, produtores estão sendo capacitados na produção de seis subprodutos do pescado.

“Já estão sendo produzidos, artesanalmente, linguiças, almôndegas, quibe, filé e costela de peixe. Estamos testando algumas receitas para verificar o índice de aceitabilidade dos consumidores, pois o objetivo maior é a comercialização dos produtos no PAA – Programa de Aquisição de Alimentos (Compra Direta) e PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar”, afirma o extensionista, acrescentando que para isso, primeiramente, os produtos precisam ter o selo de inspeção municipal.
Jane Meire Araújo, produtora da cidade de Almas, ao participar de um curso de processamento de pescado, viu sua vida transformar por completo. Durante o treinamento aprendeu diversos pratos e hoje comercializa até 500kg de pescado beneficiado por semana em sua cidade e regiões vizinhas, como Natividade e Dianópolis. “Minha vida melhorou bastante e a renda triplicou”, comemora.

Este ano, o Ruraltins já capacitou 68 pessoas com o curso de processamento de pescado nas cidades de Brejinho de Nazaré, Araguatins, Palmeiras e Aragominas.

PAA/Compra Direta
Implantado no Estado desde 2005, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA/COMPRA DIRETA) é uma das ações do programa Fome Zero, do Governo Federal em parceria com o governo estadual e propicia a aquisição de alimentos de agricultores familiares, com isenção de licitação, a preços compatíveis aos praticados nos mercados regionais.

PNAE

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) tem como objetivo oferecer alimentação saudável aos 47 milhões de estudantes de escolas públicas de todo o Brasil, ao mesmo tempo em que estimula a agricultura familiar.
Desde 2009, a Lei nº 11.947, regulamentada pelo Conselho Deliberativo do Fundo Nacional de Desenvolvimento Econômico (FNDE), estabelece que, no mínimo, 30% dos recursos do Fundo destinados à compra de alimentos para instituições de ensino sejam reservados à aquisição de produtos de agricultores familiares e suas organizações. A obrigatoriedade incentiva a economia local e gera aumento de renda.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Produção de peixe consolida Projeto Boa Esperança



O Projeto Boa Esperança, com ações em sete municípios do Piauí e Maranhão, está consolidado. Nesta quarta-feira (20/11), entra em operação a quarta unidade demonstrativa de criação de peixes em tanques-rede, no povoado Tucuns, no município de Uruçuí, a 453 quilômetros ao sudoeste de Teresina. O projeto é conduzido pela Embrapa Meio-Norte e financiado pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco – Chesf.

A largada para a primeira despesca da unidade será dada em um dia de campo, que começa às 8 horas.  As oito famílias que participam do projeto esperam uma produção de pelo menos nove toneladas de tilápia, que serão comercializadas na própria região. O quilo do peixe será vendido a  R$ 7,00. A unidade contribuirá para reduzir a pressão no estoque pesqueiro da região, melhorando a qualidade do peixe, além de aumentar a renda das famílias envolvidas.

Dois importantes temas serão focados no evento: os aspectos legais para a atividade de criação de peixes em tanques-rede na represa Boa Esperança, no Rio Parnaíba, com o pesquisador Alexandre Kemenes; e tecnologias adotadas na unidade demonstrativa de criação de peixe em tanques-rede, pelo analista Valdemir Queiroz. O analista Marcos Teixeira Neto, coordenador do projeto, mostrará as ações desenvolvidas nos municípios.

O projeto instalou também unidades demonstrativas de criação de peixes em tanques-rede, no entorno da represa de Boa Esperança, nos municípios de Guadalupe, no Piauí; e em Nova Iorque e Benedito Leite, no Maranhão. Cerca de 50 famílias de pequenos pescadores estão participando diretamente do projeto nas quatro unidades. Elas receberam 132 tanques-rede, além de balsa de manejo, tanques para o transportes de peixes vivos, além de casa de apoio com balanças e geladeiras.

O Boa Esperança começou a ser executado em 2007, beneficiando pequenos agricultores dos municípios de Uruçuí, Antônio Almeida, Porto Alegre e Guadalupe, no Piauí; e Benedito Leite, Nova Iorque e São João dos Patos, no Maranhão. Além da piscicultura, o projeto desenvolveu atividades agrícolas e pecuárias, como cultura de grãos, hortaliças, fruteiras, avicultura, meliponicultura, suinocultura, produção de leite a pasto e agroindústria.

Fonte: Embrapa Meio Norte  (Fernando Sinimbu)