quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Berçário de peixes sob proteção



Um projeto inédito está monitorando peixes no Parque Estadual do Cantão, em Tocantins, um dos maiores berçários de espécies de água doce do planeta. Os pesquisadores querem mostrar que a proibição da pesca no local é uma das formas mais eficazes para garantir o estoque pesqueiro numa vasta área do Rio Araguaia.
 
O estudo, realizado pelo Instituto Araguaia de Proteção Ambiental com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, é o primeiro programa de monitoramento a longo prazo numa unidade de conservação amazônica. A identificação de peixes com marcações começou em setembro e vai até novembro. Este processo será retomado entre março e junho de 2014.

Para comprovar que os peixes migram para outras regiões, como os rios do Coco e o Araguaia, os especialistas vão pagar aos pescadores R$ 10 para cada peixe que tiver a marcação do projeto.

“Basta esperar um pouco para que todos os rios e lagos da região voltem a ter peixes, mas é fundamental que a área do parque seja preservada e que não haja pesca ilegal dentro de seus limites”, afirma a bióloga Silvana Campelo, coordenadora do projeto e presidente do Instituto Araguaia. “Vamos comprovar cientificamente e mostrar à comunidade local, e a todo mundo, que este parque é o berçário dos peixes, o início da vida da Bacia do Tocantins-Araguaia”.

A unidade de conservação tem 90 mil hectares de área de Floresta inundável e 850 lagos. Sua bacia hidrográfica cobre 11% do país.
Fonte: Cláudio Motta/ O Globo – Canal doProdutor

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Parques Aquícolas terão 263 áreas para produção de pescado no TO






Fonte: Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins - Ruraltins - 
 


Começaram em 07 de outubro, os envelopes do processo de intenção para uso das áreas produtivas do Parque Aquícola da Usina Hidrelétrica Lajeado. São 263 áreas destinadas à criação de pescado em cinco parques. A estimativa é que resultem em mais de 22 mil toneladas anuais de peixes, de espécies como pacu, piauçu, pirapitinga, lambari, pirarucu, pirarara, jurupensém e tambaqui, criando aproximadamente dois mil empregos na região.

A área destinada à concorrência pública é de 133 hectares de águas sob domínio da União. O Parque Aquicola da UHE do Lajeado abrange os municípios de Brejinho de Nazaré, Ipueiras, Porto Nacional, Miracema e Palmas. Dos cinco parques aquícolas, quatro correspondem a áreas não-onerosas, sendo eles Brejinho 1 e 2, Miracema-Lajeado e Sucupira. As áreas onerosas estão localizadas no parque Santa Luzia 4. O procedimento de abertura dos envelopes dos concorrentes é realizado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura, localizado na Avenida Teotônio Segurado em frente a loja Ferpam.

Segundo o coordenador de Aquicultura do Instituto de Desenvolvimento Rural (Ruraltins), Alexandre Godinho, a criação dos parques irá duplicar a produção de pescado no Tocantins. “A produção do Estado está em torno 12 mil toneladas de peixe, com esses cinco parques que foram liberados a capacidade de produção passa a ser de aproximadamente 22 mil toneladas, dobrando o valor atual”, destaca.
Ainda de acordo com Godinho, a criação dos parques aquícolas significa agilidade no processo de criação de peixe. “O tanque rede é uma atividade da piscicultura muito rápida, pois o lago já vem licenciado, com área, lotes e espécies definidas, a velocidade com que você vai começar a produzir é muito acelerada”, ressalta.

Plano Safra

Conforme o coordenador, o Plano Safra da Pesca e Aquicultura está com investimento na ordem de R$ 4,1 bilhões. Os recursos do Plano Safra são acessados por meio da apresentação de projetos junto a bancos públicos, que oferecem juros abaixo da inflação e das taxas praticadas pelo mercado, com três anos de carência e dez anos para a quitação do empréstimo. Além do investimento financeiro, o Plano oferece apoio complementar aos aquicultores, como assistência técnica, modernização das atividades de comercialização do pescado e desenvolvimento da pesquisa e da inovação, além da compra do pescado por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

Consumo de pescado no Brasil aumenta 23,7% em dois anos



Os brasileiros hoje consomem muito mais pescado do que antigamente, para surpresa até de especialistas das áreas de alimentação e abastecimento.

Segundo dados do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), a média por habitante ano no País alcançou 11,17 quilos em 2011, nada menos do que 14,5% a mais do que em relação ao ano anterior. Já entre 2009 e 2010 o ritmo de crescimento da demanda foi de 7,9%. Em dois anos (2010 e 2011) o crescimento da demanda por peixes e frutos do mar aumentou em média 23,7%. Assim, pode-se acreditar, com alguma margem de segurança (as importações continuaram aquecidas), que atualmente os brasileiros já devem consumir pescado na média mínima recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 12 quilos por habitante/ano.

Este fenômeno de aumento acentuado de consumo de pescado, que se repete em outras partes do mundo, pode ser explicado no País por alguns fatores, segundo Eloy de Sousa Araújo, Secretário de Infraestrutura e Fomento do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). “Nos últimos anos a condição de vida dos brasileiros melhorou, a moeda nacional, o real, readquiriu o poder de compra e a população procura alimentos mais saudáveis para consumo, sendo o pescado uma excelente opção”, avalia.

O crescimento no consumo foi confirmado com a divulgação do Boletim Estatístico do MPA sobre a produção brasileira de pescado em 2011, o mais recente disponível. O boletim permitiu relacionar a produção nacional com as importações e exportações de pescado neste ano de referência, bem como avaliar em perspectiva os anos anteriores e as tendências de mercado.

Novo patamar

“Há uma década os supermercados não contavam com espaço para a exposição de peixes congelados e principalmente frescos, que era no imaginário popular característica de local sujo; os supermercados desmistificaram isso e hoje encontramos o tambaqui, a pescada amarela, o pargo e a cioba apenas pra citar alguns”, recorda o secretário Eloy Araújo. Com o tempo, os jovens descobriram os sashimis da culinária oriental e os restaurantes de comida a quilo nas cidades passaram a oferecer pescado aos seus clientes. Também a indústria inovou com produtos de preparo mais fácil, de cortes prontos e as pizzas de sabor atum.

A demanda aquecida motivou a indústria do pescado, sobretudo da aquicultura (cultivo de pescado), que é a modalidade com mais espaço para crescer a produção. Ainda em 2011, a criação de pescado em cativeiro no Brasil atingiu 628,7 mil toneladas, o que representou um crescimento de 31,1% em relação ao ano anterior. Entretanto, este grande empenho ainda foi insuficiente para atender a demanda. Naquele ano, a produção brasileira de pescado alcançou 1,43 milhão de toneladas, das quais uma pequena parte, 42.263 toneladas, foi destinada à exportação. E o País ainda precisou importar 37% do pescado consumido.

Além dos peixes nacionais – o País tem uma das maiores biodiversidades em pescado do planeta, como se pode observar em mercados populares e supermercados - , os brasileiros tradicionalmente apreciam peixes de águas frias, como o bacalhau (Cod Fish do mar do Norte), da Noruega, e o salmão, proveniente especialmente do Chile, mas também da Argentina e da China. Também peixes mais baratos da Ásia começaram a chegar à mesa dos brasileiros. O fato é que, em 2011, as importações apresentaram um déficit da ordem de US$ 1 bilhão.

Perspectivas

Nos últimos anos, o Brasil, com o Ministério da Pesca e Aquicultura, passou a se estruturar para se tornar um grande produtor de pescado, assim como já tem liderança em outros tipos de carne, como bovina, suína e de frango. O País, afinal, é o que possui mais água doce no mundo (13%) e um extenso litoral. No final de 2012, o Governo Federal lançou o Plano Safra da Pesca e Aquicultura, que oferta R$ 4,1 bilhão em crédito para o setor. Também o MPA criou uma rede de laboratórios oficiais para certificar a qualidade do pescado para exportação, importação e consumo interno.
Este ano, um edital público do MPA incluiu 27% dos municípios brasileiros em um programa para estimular a piscicultura em propriedades rurais. O Governo Federal também passou a imprimir maior velocidade no lançamento de editais para a produção de pescado em grandes reservatórios – no País existem quase 200 -  e no litoral. Apenas em junho e setembro deste ano a Secretaria de Planejamento e Ordenamento da Aquicultura do MPA destinou mais de 700 hectares de áreas sob domínio da União para a produção de aproximadamente 200 mil toneladas de pescado por ano, entre peixes, ostras e mexilhões. As áreas estão localizadas em reservatórios de usinas hidrelétricas e ambientes marinhos nos estados de São Paulo, Tocantins, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Paraná e Rio de Janeiro.

Outra medida estruturante fundamental está sendo a simplificação do licenciamento ambiental de projetos em águas da União, que recebeu recentemente o apoio do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). O Conselho conta com a participação dos órgãos federais, estaduais e municipais, setor empresarial e sociedade civil.

O peixe é a proteína animal mais consumida no mercado internacional, e a que encontra mais espaço para crescer. Além de oferecer um mundo de sabores – cada espécie, afinal, tem o seu diferencial na culinária -, o pescado é leve e saudável. Em média, cada habitante do planeta consome 18,8 quilos de pescado por ano, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Em 2011, a produção mundial atingiu 154 milhões de toneladas, das quais 131 milhões foram destinadas a consumo humano. Como a pesca de captura não pode aumentar muito o chamado “esforço de pesca”, para não comprometer os estoques pesqueiros, a atividade aquícola (cultivo de pescado) está encontrando um gigantesco espaço para crescer e atender a demanda atual e futura.

Neste contexto, o Brasil, por suas características físicas e matriz energética, tem perfil para se tornar um importante produtor de pescado. A cadeia produtiva do setor envolve produção de alevinos (filhotes de peixe), ração, equipamentos, plantas de beneficiamento, conservação, transporte e comercialização. Tudo capaz de gerar milhares de empregos. No momento, as principais espécies cultivadas no País são tilápia e tambaqui, mas outras podem conquistar um lugar de destaque, como o pirarucu da Amazônia, que encanta a brasileiros e estrangeiros.

Fonte: MPA

Embrapa discute potencial da aquicultura no Tocantins (14/10/2013)


Fartura em recursos hídricos, clima favorável e presença de grandes frigoríficos fazem do Tocantins local propício para o desenvolvimento de empreendimentos aquícolas. Por outro lado, dificuldades de licenciamento da atividade, falta de infraestrutura e ausência de produção local de alguns insumos barram o crecimento da atividade. Essas questões foram colocadas em debate durante o 1º Congresso da Indústria Tocantinense, realizado no início de outubro em Palmas (TO).

Participaram da discussão o chefe geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Carlos Magno Campos da Rocha; a presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Tocantins), Miyuki Hyashida; o diretor do Departamento de Planejamento e Ordenamento da Aquicultura em Estabelecimentos Rurais do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), Adalmyr Borges; e o técnico do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), Maurício Araújo.

O representante do MPA colocou que o Tocantins apresenta excelentes incentivos para a aquicultura e tem todas as condições para desenvolver o setor. O Estado também foi um dos que apresentou mais municípios solicitantes de kits de máquinas para a construção de viveiros escavados. “Para solicitar as máquinas ao Ministério, o município deve elaborar um projeto e nos enviar”, colocou Borges.

Rocha, da Embrapa, chamou a atenção para a falta de infraestrutura mínima para a realiação de empreendimentos aquícolas no Lago do Lajeado. “Essas áreas que acabam de ser lançadas para licitação vão precisar de acessos por estradas, píer para os barcos, fábricas de gelo, terminais para transporte e muitas outros implementos que até agora não existem”, alertou. Segundo o chefe da Embrapa, é preciso fazer um planejamento elaborado para evitar problemas futuros. “Muita gente pensa que é só pegar a concessão e jogar um tanque rede no lago, mas há muita coisa para fazer antes disso”, frisou.

A presidente do Ruraltins, Miyuki Hyashida, que também é piscicultora, falou sobre as dificuldades da extensão rural de atender a todos os piscicultores do Estado. “Mesmo se transformássemos todos os técnicos do Ruraltins em especialistas em piscicultura, não conseguiríamos suprir toda a demanda por assistência técnica desse setor”, disse.

O técnico do Naturatins, pontuou entraves legais que prejudicam os licenciamentos sem necessariamente proteger a natureza. “Nesses casos, teríamos que mudar a legislação pois é possível proteger o meio ambiente sem inviabilizar a produção”, colocou.

Após as colocações, participantes da mesa redonda debateram entre si e puderam responder dúvidas da plateia composta por cerca de 60 pessoas entre técnicos, produtores, estudantes e interessados em geral.


Fonte: Embrapa Pesca e Aquicultura