quarta-feira, 26 de junho de 2013
Ceará ganhará 43 parques aquícolas em cinco cidades
(Fonte: Diário do Norteste - Ilo Santiago Jr.)
Itapipoca, Trairi, São Gonçalo, Icapuí e a Amontada foram os municípios selecionados pelo governo federal
A aquicultura do Estado do Ceará está prestes de passar por uma verdadeira transformação. A ideia é aproveitar o potencial marítimo do litoral cearense para esse tipo de produção. O governo federal pretende implantar 43 parques aquícolas já a partir deste ano em 45 mil hectares já mapeados. Quem está em Fortaleza, para trazer a novidade, é a própria secretária nacional de Planejamento e Ordenamento, do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), Maria Fernanda Nince.
Segundo ela, serão beneficiados cinco municípios cearenses: Itapipoca, São Gonçalo do Amarante, Icapuí, Amontada e Trairi. "Serão 43 parques não muito grandes, mas que ocuparão juntos a soma de 35 mil hectares para cultivo de peixe e 10 mil hectares para algas", especifica, ressaltando que esses 45 mil hectares representam mais da metade do total (81 mil hectares) trabalhado no Brasil, atualmente.
Também hoje a secretária se encontrará com especialistas da ´Fundación Chile´ para a possível formalização de parcerias em Pesquisa e Desenvolvimento e prestação de serviços, entre os dois países, na área.
Condições naturais
Ela reforça que o Estado do Ceará tem um potencial enorme para a implantação dos parques aquícolas. A produção estimada pelo MPA é de 12 toneladas/ hectare em um ciclo com durabilidade de um ano.
A secretária diz que existe uma experiência bem sucedida em Santa Catarina de parque aquícola marítimo no País. Além disso, outras unidades da Federação receberão investimentos do governo federal. São eles Paraná, Rio Grande do Norte, Maranhão, Pará e Sergipe. Mas o Ceará, conforme Maria Fernanda, é o que apresentará maior número de parques.
"Um conjunto de fatores ambientais e de envolvimento de entidades no Estado justifica esse investimento aqui. A qualidade das espécies existentes, temperatura ideal, e a parceira com órgãos locais, entre eles, o Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC)", explica a representante do MPA.
A secretária acrescenta que a economia local desses municípios deverá receber um forte impulso. "O potencial para o cultivo é bem grande. A gente pretende gerar emprego para um público-alvo diretamente relacionado de 40 mil pessoas no projeto", ressalta a secretária. O Ceará já é reconhecido pela sua produção aquícola e m água doce, sobretudo, no Açude Castanhão, o maior do Estado, com produção de tilápia, que tem projeção de produção de 32 mil toneladas de pescado por ano, gerando, de forma imediata, 800 empregos.
Ela revela que a alga a ser cultivada chama-se Glacilária, indicada para alimentação e indústria química, mais precisamente utilizada no setor de cosméticos. Dentre as espécies de peixes, os previstos são beijupirá e cioba. "Mas o estudos do Labomar devem apontar uma quantidade maior de espécies a serem trabalhadas dentro dos parques no litoral cearense", antecipa a secretária nacional do MPA.
De acordo com a secretária, os recursos serão oriundos do orçamento do Ministério. "Os custos serão por etapas. As fases iniciais sempre começam com estudo ambiental, que nos dá a garantia de que a área será boa para produção, com garantia sustentável", conta.
Maria Fernanda salienta que cada etapa gira em torno de R$ 1 milhão, e que o principal custo é de sinalização náutica da área delimitada. "Os estudos já foram realizados junto ao Labomar. O próximo passo será o aval da Capitania dos Portos. Esse passo é importante para que tenhamos a primeira conversa do licenciamento ambiental com a Semace. Os locais já foram identificados pelo levantamento do Labomar, mas podem ser necessários ajustes", diz Fernanda, mostrando-se confiante em relação ao andamento da burocracia.
Ela estima que, ainda neste ano, seja possível a inauguração do primeiro parque aquícola marinho no Ceará. "Nossa interlocução com prefeituras, governo estadual e demais entidades envolvidas está sendo muito boa. Esse processo até a licitação deve correr com celeridade. E nos próximos três meses podemos estar publicando algum tipo de seleção pública para que possam aderir ao programa", resume a secretária.
Segundo ela, a prioridade da iniciativa é beneficiar os pequenos produtores. "Nosso objetivo inicial é atender à demanda reprimida do pequeno pescador e empreendedores individuais. O foco são os empreendimentos sociais, mas vai existir uma reserva para empreendimentos comerciais. O custo nesse caso será do próprio investidor", explica.
Por municípios
Ela também detalha a parte do investimento dedicada a cada um dos cinco municípios cearenses envolvidos na iniciativa. Icapuí terá a maior área de cobertura (16 mil ha), distribuídos em oito parques marinhos sendo 4,7 mil hectares destinados exclusivamente para as algas, o maior espaço dentre todas as demais cidades litorâneas.
O município de São Gonçalo do Amarante terá sete parques com 1,8 mil ha. Itapipoca, por sua vez, terá a maior quantidade de parques aquícolas do Ceará (dez, no total), em uma área de 6,4 mil ha. Amontada e Trairi terão, respectivamente, 11,2 mil ha e 12,5 mil ha, com nove parques cada um.
Mais informações
Ministério da Pesca e Aquicultura
Telefone: (61) 2023-3000
Fax: (61) 3218-3732
terça-feira, 25 de junho de 2013
Dia de Campo reúne agricultores familiares em Divinópolis
A Embrapa
Pesca e Aquicultura promoveu mais um Dia de Campo em Divinópolis (TO), na manhã
do dia 20 de junho de 2013. A ação faz parte do “Projeto Divinópolis - InovaçãoTecnológica na Piscicultura Familiar” ,
que compõe a carteira temática do Macroprograma 6 da Embrapa. O projeto visa o
desenvolvimento tecnológico da piscicultura familiar na região de Divinópolis e
Abreulândia do Tocantins.
As atividades foram realizadas na propriedade do Sr. José Filho, com apoio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado do Tocantins (Ruraltins) e da Planter Serviços de Assistência Técnica e Desenvolvimento Rural do Tocantins.
Na abertura do evento, o pesquisador Adriano Prysthon destacou as palestras do dia: “Vamos falar de três temas importantíssimos para a piscicultura. Já aprendemos a construir, preparar e povoar viveiros. Hoje trataremos da qualidade da água, fator determinante para a saúde e crescimento dos peixes; biometria, técnica de coleta do peixe do tanque para acompanhar seu crescimento, estado de saúde e peso durante o cultivo; e manejo alimentar, para salientar a importância de oferecer uma ração de boa qualidade, e a quantidade ideal de alimento para cada fase da criação, de acordo com o tamanho do peixe no tanque”.
As atividades foram realizadas na propriedade do Sr. José Filho, com apoio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado do Tocantins (Ruraltins) e da Planter Serviços de Assistência Técnica e Desenvolvimento Rural do Tocantins.
Na abertura do evento, o pesquisador Adriano Prysthon destacou as palestras do dia: “Vamos falar de três temas importantíssimos para a piscicultura. Já aprendemos a construir, preparar e povoar viveiros. Hoje trataremos da qualidade da água, fator determinante para a saúde e crescimento dos peixes; biometria, técnica de coleta do peixe do tanque para acompanhar seu crescimento, estado de saúde e peso durante o cultivo; e manejo alimentar, para salientar a importância de oferecer uma ração de boa qualidade, e a quantidade ideal de alimento para cada fase da criação, de acordo com o tamanho do peixe no tanque”.
As palestras foram proferidas pelos pesquisadores da Embrapa, Patrícia Oliveira Maciel, Adriana Ferreira Lima, Lucas Simon Torati, Ana Paula Oeda Rodrigues, Giovani Taffarel Bergamin e pela agricultora familiar, Marinete Correia dos Santos Rodrigues. Também participaram do evento o técnico da Transferência de Tecnologia da Embrapa, Diego Neves de Sousa e a estagiária, Jocely Oliveira Santos.
Prática dos agricultores
João Barros de Souza possui uma propriedade familiar em Divinópolis e está preparando dois hectares de lâmina d’água para produzir dois mil peixes por ano. “Ainda não iniciei a criação de peixes, mas acompanho as palestras desde o início do projeto. Estou aprendendo as técnicas e, principalmente, a calcular a quantidade ideal de alevinos e de ração para colocar no tanque”, comentou.
Na propriedade de Marinete Rodrigues, o cultivo de peixes é para consumo familiar. A produção foi iniciada após acompanhar o primeiro encontro de piscicultores do Projeto Divinópolis, realizado em fevereiro de 2012. ”Para mim o que de melhor aprendi é que o sistema de produção de peixes não ocupa todo o meu dia de trabalho e o resultado é muito bom: a despesa com o manejo é pequena e a qualidade do peixe é melhor. O único contratempo que tive foi a falta de água, pois ainda não tenho uma estrutura de água permanente no local”.
Após a palestra, o grupo assistiu uma aula prática em frente aos tanques escavados da propriedade, onde são cultivados os peixes Pacu-caranha (Piaractus mesopotamicus) e Tambaqui (Colossoma macropomum). Com o auxílio do técnico do Ruraltins, Tácito Araújo Bezerra, foi realizada a demonstração de captura dos peixes com a utilização das redes de arrasto, para realizar a biometria. “É mais indicado utilizar as redes com fios trançados, do que usar as de fios de nylon, para evitar machucar os animais”, explicou. Bezerra ressaltou, também, que é importante deixar todos os materiais preparados em uma mesa na beira do tanque, para que o procedimento seja efetuado em tempo adequado, de modo que os animais não fiquem presos na rede, ou no balde, por um longo tempo durante o manejo, para evitar estresse.
Para saber mais informações sobre o Manejo Alimentar, Qualidade da Água e Biometria de Peixes , acesse os fôlderes disponibilizados na página da Embrapa Pesca e Aquicultura.
Fonte: Embrapa Pesca e Aquicultura
terça-feira, 18 de junho de 2013
Reforma aquária já!
Fonte: Folha Uol – 06/05/2013 Marcelo Crivella
Não nos anima nenhum sentimento de xenofobia, mas é inaceitável que, com a imensidão de águas do nosso território, sejamos um crescente importador de pescado. Só no ano passado, foi mais de US$ 1 bilhão, ainda que o consumo per capita nacional seja metade da média mundial.
É que a produção no Brasil não deixa de estar em crise. Não a crise da estagnação que tem levado muitos povos ao desalento, mas a crise fecunda e redentora que, de um lado, nos desafia com o imenso potencial da nação e, do outro, nos intimida com o cipoal de normas e a deficiência na infraestrutura.
Um paradoxo da nossa conjuntura, a exigir de nós planejar com lucidez, decidir com inteligência e realizar com bravura. E sem, obviamente, demoras desnecessárias.
A consciência crítica e o inconformismo com o atraso e a miséria, marcas do governo da presidenta Dilma, garantem ao povo brasileiro o direito de ser otimista. O que queremos ser e seremos é um país cuja indústria pesqueira alcance o mesmo desenvolvimento que a avícola ou a bovina.
O processo começou: o Plano Safra da Pesca e Aquicultura e a desoneração tributária, ao se incluir o pescado na cesta básica, foram os primeiros passos. Agora, a presidenta determinou que o Ministério da Pesca e Aquicultura e o Ministério do Meio Ambiente apresentem proposta para simplificação de licenciamento ambiental para a aquicultura nas águas da União.
A ideia é o desenvolvimento da aquicultura de zero impacto ambiental. Consiste, basicamente, na dispensa do licenciamento ambiental nos parques e áreas aquícolas em águas da União, em até meio por cento do reservatório, barragem, açude etc., a ser instalada de maneira gradual e com monitoramento ambiental. Ao primeiro sinal de comprometimento dos parâmetros do uso múltiplo da água, interrompe-se a instalação.
Meio por cento é um índice extremamente conservador, mas, diante do volume de águas que possuímos em domínio da União, no mar e territorial, seria suficiente para produzir algo em torno de 20 milhões de toneladas de pescado anualmente e de maneira sustentável. Repito, meio por cento.
Estamos determinados e confiantes de que, com trabalho e pesquisa, iremos nos redimir das amarras que ancoram o nosso progresso e promover o desenvolvimento sustentável da indústria pesqueira.
Com o plano, a Embrapa Pesca e Aquicultura ganha nova força para desenvolver pacotes tecnológicos. O seu presidente lembra que, em um hectare de terra, o melhor pecuarista brasileiro consegue produzir uma tonelada de carne bovina por ano, enquanto, no mesmo tempo, em um hectare de água, pode-se produzir 200 toneladas de peixe.
Assim, o governo oferece alternativa produtiva melhor para os vultosos investimentos economicamente estéreis na especulação financeira. Nossos empresários são chamados a investir na produção de pescado para fazer do Brasil um dos maiores produtores do mundo. São chamados para suas empresas crescerem com um trabalho rentável e fascinante, mas também sublime, por ajudar no combate à fome.
Mas o mais importante é que centenas de milhares de famílias de pescadores e ribeirinhos poderão obter um lote aquícola e acrescentar ao patrimônio da nossa geração uma riqueza em proteína animal cujo potencial o BNDES comparou a um novo pré-sal.
Não nos anima nenhum sentimento de xenofobia, mas é inaceitável que, com a imensidão de águas do nosso território, sejamos um crescente importador de pescado. Só no ano passado, foi mais de US$ 1 bilhão, ainda que o consumo per capita nacional seja metade da média mundial.
É que a produção no Brasil não deixa de estar em crise. Não a crise da estagnação que tem levado muitos povos ao desalento, mas a crise fecunda e redentora que, de um lado, nos desafia com o imenso potencial da nação e, do outro, nos intimida com o cipoal de normas e a deficiência na infraestrutura.
Um paradoxo da nossa conjuntura, a exigir de nós planejar com lucidez, decidir com inteligência e realizar com bravura. E sem, obviamente, demoras desnecessárias.
A consciência crítica e o inconformismo com o atraso e a miséria, marcas do governo da presidenta Dilma, garantem ao povo brasileiro o direito de ser otimista. O que queremos ser e seremos é um país cuja indústria pesqueira alcance o mesmo desenvolvimento que a avícola ou a bovina.
O processo começou: o Plano Safra da Pesca e Aquicultura e a desoneração tributária, ao se incluir o pescado na cesta básica, foram os primeiros passos. Agora, a presidenta determinou que o Ministério da Pesca e Aquicultura e o Ministério do Meio Ambiente apresentem proposta para simplificação de licenciamento ambiental para a aquicultura nas águas da União.
A ideia é o desenvolvimento da aquicultura de zero impacto ambiental. Consiste, basicamente, na dispensa do licenciamento ambiental nos parques e áreas aquícolas em águas da União, em até meio por cento do reservatório, barragem, açude etc., a ser instalada de maneira gradual e com monitoramento ambiental. Ao primeiro sinal de comprometimento dos parâmetros do uso múltiplo da água, interrompe-se a instalação.
Meio por cento é um índice extremamente conservador, mas, diante do volume de águas que possuímos em domínio da União, no mar e territorial, seria suficiente para produzir algo em torno de 20 milhões de toneladas de pescado anualmente e de maneira sustentável. Repito, meio por cento.
Estamos determinados e confiantes de que, com trabalho e pesquisa, iremos nos redimir das amarras que ancoram o nosso progresso e promover o desenvolvimento sustentável da indústria pesqueira.
Com o plano, a Embrapa Pesca e Aquicultura ganha nova força para desenvolver pacotes tecnológicos. O seu presidente lembra que, em um hectare de terra, o melhor pecuarista brasileiro consegue produzir uma tonelada de carne bovina por ano, enquanto, no mesmo tempo, em um hectare de água, pode-se produzir 200 toneladas de peixe.
Assim, o governo oferece alternativa produtiva melhor para os vultosos investimentos economicamente estéreis na especulação financeira. Nossos empresários são chamados a investir na produção de pescado para fazer do Brasil um dos maiores produtores do mundo. São chamados para suas empresas crescerem com um trabalho rentável e fascinante, mas também sublime, por ajudar no combate à fome.
Mas o mais importante é que centenas de milhares de famílias de pescadores e ribeirinhos poderão obter um lote aquícola e acrescentar ao patrimônio da nossa geração uma riqueza em proteína animal cujo potencial o BNDES comparou a um novo pré-sal.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Águas vivas ameaçam fauna do Mar Mediterrâneo
A Comissão Geral de Pesca do Mar Mediterrâneo, entidade que pertence a FAO, adverte que as águas vivas “são a gota que faltava” para que a fauna local entre em colapso. O anúncio se deu durante um evento em Roma.
Segundo o estudo, o aumento repentino da população de águas vivas é fruto, sobretudo, da pesca predatória, a qual elimina os predadores marinhos.
O aumento do número de “medusas”, que se alimenta de larvas e de peixes pequenos, pode fazer com que se reduza ainda mais a “capacidade de recuperação das populações de peixes já afetadas pela pesca excessiva”.
Alguns especialistas entendem que a proliferação das águas vivas também é fruto do aquecimento global. Por conta dele há um aumento dos nutrientes na água capazes de alimentar estes e outros animais da base da cadeia alimentar.
A FAO pretende prevenir a proliferação das águas vivas por meio da criação de alertas e da instalação de barreiras nas granjas aquícolas, além de insistir na redução da sobrepesca.
Um problema semelhante ocorreu nos anos 1980. À época a FAO teve que lidar com uma espécie de água viva que foi introduzida acidentalmente no Mediterrâneo. Com o passar do tempo houve um equilíbrio. Mas, por conta da diminuição dos predadores, as águas vivas estão retomando a condição de “pragas”.
Fonte: Revista Pesca & Companhia
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