sexta-feira, 27 de julho de 2012

Presidente do BNDES incentiva “empresas âncora” na pesca e aquicultura

(Ministério da Pesca e Aquicultura) - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, proferiu no fim de junho, em Brasília, a palestra “Financiamento à Pesca e à Aquicultura”. Na plateia, estavam os dirigentes do Conselho Nacional de Aquicultura e Pesca (CONAPE) e empresários do setor. O ministro Crivella lembrou, na oportunidade, que recente estudo do BNDES apontou a aquicultura como um novo “pré-sal” para o Brasil.
Para fortalecer a aquicultura nacional, Luciano Coutinho defendeu a criação de empresas âncoras, mais robustas e com maior capacidade tecnológica e gerencial. Elas estariam aptas a atingir maiores escalas de produção e de rentabilidade, com produtos mais diversificados. Cuidariam em melhores condições de aspectos como produção, assistência técnica, beneficiamento, comercialização e crédito. E estas empresas auxiliariam as demais a superarem problemas nestas áreas, tornando o setor mais dinâmico. Estas empresas âncoras precisariam, entretanto, de recursos e tecnologia. Os recursos poderiam, por exemplo, ser provenientes de fundos criados especialmente para isto. Para o desenvolvimento tecnológico recomendou programas de inovação.
A agenda de implementação e operacionalização de programas de apoio e incentivo, segundo ele, demandará a participação não apenas do BNDES, mas de outras instituições financeiras públicas, bem como de outros ministérios e órgãos. Já para a pesca artesanal, Coutinho recomendou o fortalecimento de cooperativas.
Diagnóstico
Luciano Coutinho disse que o BNDES, a partir de um acordo com o Ministério da Pesca e Aquicultura em março de 2011, criou um Grupo de Trabalho em Aquicultura, que resultou em um diagnóstico do setor. Segundo ele, o desenvolvimento da pesca e aquicultura no Brasil é um “tema estratégico para o BNDES”, tendo em vista que o País dispõe de todas as condições para ter “um futuro brilhante” no setor. E pode, inclusive, se tornar “uma grande plataforma exportadora de pescado”, de forma a suprir à crescente demanda do mercado internacional, onde a proteína de pescado é a mais consumida. Desta forma, o pescado mundial se torna “uma janela de oportunidades” para o Brasil, que possui excepcionais condições de produção face aos seus imensos recursos hídricos no continente e no mar.
Apesar de seu otimismo, Luciano Coutinho lembrou que o Brasil ainda tem uma produção pesqueira modesta e demanda importações para o abastecimento interno. Em 2011, o déficit neste quesito, na balança comercial brasileira, foi da ordem de US$ 1 bilhão.
Luciano Coutinho salientou que os maiores produtores de pescado só atingiram este patamar após o apoio e estímulo do aparato estatal. E o mesmo precisa ocorrer no Brasil. Por isto, entre as vantagens comparativas do País, além das condições naturais, ele incluiu a existência do Ministério da Pesca e Aquicultura e de instituições de pesquisa como a Embrapa.
O diagnóstico do BNDES revelou que a maioria das empresas dedicadas à aquicultura no Brasil é de pequeno porte, não processando mais do que 4 mil toneladas anuais. A aquicultura será o grande filão para o aumento da produção nacional, como ocorre internacionalmente. E este segmento já cresce 10,3% ao ano desde 2009 no Brasil.
O estágio atual é, na visão de Luciano Coutinho, o de “qualificar as empresas âncora”, e não, ainda, o de consolidar o setor.
O presidente do BNDES colocou a sua equipe à disposição dos conselheiros do CONAPE para discutir problemas específicos e também para estruturar as próximas ações. Ele se comprometeu a estudar medidas que tornem as linhas de crédito do banco mais acessíveis aos aquicultores e pescadores, ao levar em conta as características de suas atividades. Muitos piscicultores, por exemplo, têm dificuldades em apresentar garantias, porque a sua atividade é exercida em águas da União, e não em fazendas, como ocorre geralmente na agropecuária.
Abaixo se encontra disponível os slides da palestra do presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Produtos naturais são alternativas para melhorar piscicultura

Fonte: Embrapa Amazônia Ocidental - Manaus (AM)

A utilização de plantas medicinais para melhorar as condições de saúde dos peixes criados em piscicultura é tema de pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus-AM), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Plantas como cipó-alho, cravo-da-índia e alfavaca estão sendo testadas para desenvolvimento de tecnologias, que melhorem a sustentabilidade ambiental da atividade. Essas soluções estão sendo testadas para boas práticas de manejo na piscicultura, que possam reduzir riscos ambientais na produção de pescado e prevenir danos à saúde humana.

A proposta dessas pesquisas com plantas medicinais é proporcionar alternativas naturais para substituir produtos químicos que tenham potencial tóxico, quando utilizados na piscicultura. Um exemplo da utilização de produtos naturais para o manejo dos peixes é o eugenol, uma substância encontrada no cravo da índia e também em algumas plantas nativas da Amazônia.

O pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Luiz Inoue, desenvolveu pesquisa em que várias plantas foram testadas como anestésico de peixes e para minimizar problemas no transporte desses animais, principalmente de tambaqui e mantrinxã, peixes originários da Amazôniam que passaram a ser cultivados em várias regiões do Brasil, principalmente por ter boa aceitação comercial.

“Durante o manejo, os peixes podem se machucar e, consequentemente, isso pode favorecer a manifestação de doenças e morte de animais, alguns dias depois”, explica o pesquisador. “O uso dos anestésicos naturais reduz a movimentação excessiva dos animais e o estresse dos peixes, aumentando as chances de sucesso da prática de manejo, eliminando o risco de intoxicação do trabalhador e dos animais”, explica. Esse estudo faz parte de projeto da Embrapa, com apoio do CNPq.

Outra pesquisa diz respeito à prospecção de efeitos medicinais do alho e do cipó alho para a prevenção de doenças do tambaqui, quando criado em gaiolas. A pesquisadora da Embrapa Amazônia Ocidental, Cheila Boijink, explica que a disseminação de problemas relacionados à saúde dos peixes nas estações de piscicultura está relacionada às quantidades e densidade de peixes mais elevadas que as encontradas naturalmente nos rios e lagos. Nessas condições, os peixes são afetados por microrganismos parasitos oportunistas e com isso os produtores vêm aumentando o uso de produtos químicos para o controle e prevenção de doenças.

A preocupação com os riscos de intoxicação aos consumidores e a poluição dos mananciais de água motivou as pesquisas em busca de alternativas nas plantas medicinais. A pesquisa também avalia o uso de imunoestimulantes naturais, presentes no alho e cipó-alho, para aumentar a atividade do sistema de defesa dos peixes e protegê-los contra doenças infecciosas e parasitárias.

Os estudos relacionados aos sistemas de cultivo com as plantas medicinais e extratos fitoterápicos são conduzidos pelo pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Francisco Célio Chaves. “A proposta de uso de produtos naturais com conhecida característica medicinal parece ser alternativa interessante para amenizar esses problemas, proporcionando ainda melhor qualidade do pescado, livre de produtos químicos”, afirma a pesquisadora Cheila Boijink, da área de fisiologia e sanidade de peixes.

Outra vantagem na utilização desses produtos naturais é o menor risco ambiental e redução de custos na compra de medicamentos. “Acreditamos ainda que no futuro próximo os mercados internacionais de peixes vão solicitar cada vez mais alimentos que não tiveram nenhum contato com produtos químicos”, acrescenta a pesquisadora.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Especialista da Escócia mostra ferramentas para avaliar capacidade de suporte


Quantos peixes ou crustáceos pode ser cultivado em cada local? A resposta para essa pergunta diz respeito à capacidade de suporte, área de estudo do pesquisador Lindsay Ross, da Universidade de Stirling, Escócia, que apresentou uma conferência sobre o assunto na manhã de terça-feira, 3 de julho, no Aquaciência 2012, evento promovido pela Embrapa e pela Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática (Aquabio).

A questão ambiental é apenas um componente a ser avaliado que envolve também processos relacionados às áreas social, econômica e produtiva. “É preciso ter um sistema holístico de suporte de decisões”, ensinou o especialista ao apresentar uma série de modelos computacionais relacionados aos diferentes processos.

As mudanças climáticas também devem ser consideradas nos modelos de simulação, segundo colocou Ross. Como exemplo, apresentou um modelo do sul de Bangladesh, região mais utilizada por aquele país para a criação de peixes. Em um intervalo de dez anos, o local teve as àreas alagadas aumentadas em até dez vezes devido ao aumento do nível do mar. Esse tipo de observação auxilia na construção de modelos para prever onde e como produzir peixes em regiões mais susceptíveis às alterações climáticas.

Outro modelo apresentado simulou a dispersão de agroquímicos contaminantes nas regiões produtoras de peixes do Vietnã. Ao levar em conta o movimento dos ventos, das correntes e das marés, o modelo mostrou uma dispersão que alcançava dezenas de quilômetros. “Sem esse modelo computacional não se imaginava que os agentes poderiam ser levados tão longe”, afirmou o professor. O alcance da dispersão vale também para os dejetos dos peixes que podem ser vetores de doenças, segundo alertou Ross.

Para mostrar as áreas de dispersão, os modelos utiliza-se de imagens de satélite das regiões a serem estudadas e lançam mão de equações que simulam os movimentos e propriedades dos dejetos na água como a sua decantação, solubilidade e densidade.

Nem sempre o fator ambiental é preponderante na hora de avaliar a localização e o tipo de produção aquícola. “Cada país e região tem uma prioridade diferente às vezes os fatores sociais ou econômicos são majoritários”, esclareceu.

A ilha de Tenerife, do arquipélago das Canárias no oeste africano, é um exemplo da preponderância do fator econômico. A ilha vive basicamente do turismo e o zoneamento das áreas propícias para a aquicultura foi elaborado com a preocupação de não afetar aquela importante atividade econômica.

O modelo matemático mapeou todas as áreas importantes para o turismo da ilha e restringiu as áreas destinadas à aquicultura aos locais em que não afetassem as orlas ocupadas por hotéis ou atividades turísticas, ou mesmo que pudessem interferir na paisagem costeira.

Outro fator que pode pesar na equação é o social. “A influência e desejo das comunidades locais podem ser preponderantes num empreendimento aquícola, e as razões muitas vezes não são objetivas, mas subjetivas. Mesmo assim, devem ser consideradas e respeitadas”, apontou Ross. Esses critérios dizem respeito à carga social de um projeto aquícola, que trata basicamente de responder à pergunta: o que é aceitável para uma determinada sociedade? Por isso, a decisão não pode ser somente técnica.

Devido aos diversos processos envolvidos e à complexidade de cada um deles, Ross defende a aplicação de uma combinação de modelos para cada situação a qual terá pesos diferentes para os fatores ambientais, econômicos, sociais e produtivos.

Para o pesquisador, as análises não devem se restringir à aplicação de modelos computacionais, pois, apesar de responderem muitas questões, eles não darão todas as respostas. Na costa noroeste da Escócia, ele acompanhou um mapeamento que identificou um aumento da biodiversidade marinha próxima aos locais de criação de peixes.

Ross explicou que não é possível responder se essa diversidade seria tão grande se não houvesse as criações, ou se o número de espécies seria ainda maior se as fazendas de peixes não existissem. “Isso não conseguimos responder, pois dependeria de um estudo mais amplo e de longo prazo”, admitiu.

Fonte: Embrapa Pesca e Aquicultura



"Peixe é prioridade", afirma presidente da CNA

Da assessoria de comunicação do sistema Faet/Senar.
 
“Este ano o Peixe é nossa maior prioridade. No ano passado a atividade movimentou U$ 600 bilhões/ano e queremos evoluir neste mercado”, declarou Kátia Abreu, presidente do Sistema CNA/Faet/Senar, durante o 5º Congresso da Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática (Aquaciência).

Segundo a presidente da CNA, o Tocantins tem todas as condições necessárias para ser um dos primeiros produtores de Pescado do Brasil. Possui dois dos cinco maiores rios do Brasil e conta com o apoio da Embrapa Pesca e Aquicultura para desenvolver pesquisas e as condições climáticas necessárias.

"A piscicultura é a atividade mais rentável para o pequeno produtor. O cultivo do peixe pode render duas vezes mais do que o complexo soja, é sete vezes maior do que a carne bovina e nove vezes maior do que a carne de frango", disse a presidente em sua palestra. "O que tem atrasado o desenvolvimento da atividade, não só no Tocantins, mas em todo o País, é a questão ambiental. O piscicultor também é um ambientalista, é o maior interessado em manter a qualidade das águas, porque sem ela não tem como produzir", afirmou.

A Senadora também falou sobre o código florestal. Disse também que é necessário fazer alguns ajustes, especificamente nas Áreas de Preservação Permanentes (APP). "Precisamos de uma legislação que permita o crescimento sustentável da atividade. Uma das sugestões apresentadas é a retirada do trecho da lei, alterada por meio da MP, que traz benefícios para a aqüicultura somente em propriedades com até 15 módulos fiscais e o impedimento para a supressão da vegetação nativa", explicou.

Em 90 dias o Sistema CNA/Faet/Senar e seus parceiros como o Ruraltins e a Embrapa criaram a Licença Ambiental Única (LAU) uma das mais modernas licenças para a piscicultura. A Embrapa capacitou 56 técnicos de várias instituições que serão os multiplicadores de toda a tecnologia desenvolvida, foi criada uma linha de crédito para o piscicultor com recursos na ordem de R$ 100 milhões e o próximo passo será realizar um arrastão para licenciar aproximadamente mil piscicultores em todo o Estado. O Tocantins possui cinco frigoríficos com Selo de Inspeção Federal que importam o produto de outros estados, porque os produtores não estão licenciados. “Vamos mudar isso. Vamos fortalecer a cadeia e as indústrias para que a atividade possa crescer”, declarou a Presidente da CNA.

A senadora encerrou a palestra falando sobre a nova campanha da CNA, com o rei Pelé, que vai promover o agronegócio brasileiro.

Estiveram presentes no evento na manhã desta quinta-feira, o chefe da Embrapa Pesca e Aquicultura Carlos Magono da Rocha Campos, a superintendente do Senar de Tocanints, Lourdes Hennemann, o superintendente geral da Faet, Pablo Tatim, o secretário executivo da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Agrário, Ruiter Pádua e a presidente do Ruraltins, Miyuki Hiashida.

 O Aquaciência 2012 foi promovido entre os dias 1º e 5 de julho, em Palmas (TO), pela Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática (Aquabio) em parceria com a Embrapa Pesca e Aquicultura.

Aquaciência começa com mudanças climáticas

A aquicultura pode contribuir de forma considerável para o balanço de carbono uma vez que não depende de áreas ocupadas por florestas como outros tipos de produção de alimentos.  Com esse mote, Eduardo Delgado Assad, pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária abriu o 5º Congresso da Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática – Aquaciência 2012, que acontece de 1º a 5 de julho em Palmas (TO).

No entanto, ele chamou a atenção para a falta de dados de observação nesse setor, o que impede a construção de argumentos favoráveis à aquicultura de maneira mais específica. “A aquicultura ainda não consegue quantificar os gases de efeito estufa que ela libera ou retém, tornando difícil apresentá-la no contexto do impacto ao clima”, colocou o pesquisador.

Assad apresentou um histórico da medição das mudanças climáticas e apontou os motivos que levaram a maior parte da comunidade científica mundial a crer que a temperatura do planeta está aumentando de maneira perigosa. As temperaturas noturnas e dos períodos de inverno aumentaram substancialmente e num período muito curto. “Mudanças de temperatura que acompanhavam ciclos de 160 mil anos foram observadas em pouco mais de cem anos”, alertou.

As marcas dos combustíveis fósseis deixadas no ar e nos corais em oceanos também foram apresentadas como sinais da ação humana nas mudanças climáticas. Até o momento, as alterações feitas pelo homem já acrescentaram cerca de 1oC à temperatura média do planeta, que costumava girar em torno de 15oC.

Entre os efeitos mais nocivos do aumento da temperatura está na diminuição das vazões dos rios. De acordo com um estudo apresentado na Conferência Rio +20 e trazido por Assad, o rio São Francisco poderá ter seu volume reduzido em até 25% e a bacia do Araguaia-Tocantins, em 15%.

Outro efeito nocivo aos corpos d’água será o agravamento da eutrofização. Sem proteção de matas ciliares, rios e lagos serão cada vez mais expostos ao carreamento de fertilizantes agrícolas como nitrogênio e fósforo, provocando morte nesses ambientes aquáticos.

O modo de se construir e gerenciar as usinas hidrelétricas também é um ponto a ser estudado. Além de ter de medir o impacto das instalações dessas usinas, há de se medir as emissões de metano gerado pela decomposição de florestas alagadas e também pelas turbinas.

A aquicultura, segundo Assad, necessita entrar o quanto antes nas medidas de mitigação dos gases de efeito estufa. O que torna mais urgente a execução de pesquisas a respeito. “O Brasil é o segundo país do mundo na apresentação de mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL), todavia em todo o enorme portfólio de projetos que o país detém, não há um sequer a respeito de aquicultura”, colocou.

Como sugestão, Eduardo Assad apontou a necessidade de medições nas criações aquícolas intensivas, a realização de estudos sobre os impactos dos eventos extremos na aquicultura e, sobretudo, a realização de muitas pesquisas científicas nessa área.

Fonte: Embrapa Pesca e Aquicultura