segunda-feira, 22 de abril de 2013
Piscicultores registram aumento de produtividade com capacitação da Embrapa
Redução da mortalidade de peixes para níveis próximos de zero, aumento da produtividade e dos lucros. Esses são alguns dos resultados apontados por piscicultores da região sudeste do Tocantins que estão participando do curso de “Capacitação continuada de multiplicadores em piscicultura de água doce” promovido pela Embrapa Pesca e Aquicultura, Palmas (TO), com o apoio do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e da Prefeitura Municipal de Almas (TO). Iniciado há pouco mais de seis meses, o curso tem transmitido informações importantes como a preparação de viveiros, planejamento da atividade e manejo de diversas etapas da produção.
Piscicultor há dez anos, João Francisco Pimenta considera a capacitação da Embrapa um divisor de águas em sua produção. “Costumava perder cerca de 40% do lote de alevinos que eu comprava, após o curso vi que estava fazendo várias coisas erradas, corrigi e hoje quase todo o lote sobrevive”, atestou o produtor.
Entre as falhas cometidas por Pimenta no passado estava soltar os alevinos diretamente no reservatório. As perdas despencaram quando o produtor destinou um tanque específico para alevinagem, conforme recomendado pelos técnicos da Embrapa durante o curso.
O produtor ainda corrigiu a profundidade de alguns de seus tanques que eram rasos demais para a atividade e com o controle da qualidade da água eliminou o excesso de algas que atrapalhava sua produção. “Essas práticas fizeram a produção dar um salto”, comentou.
Pimenta participou com outras 30 pessoas do terceiro módulo do curso voltado às práticas de nutrição e alimentação de peixes, realizado entre os dias 3 e 5 de abril no município de Almas, a 300 km de Palmas (TO). O último dia da capacitação foi voltado às demonstrações práticas realizadas num dia de campo na fazenda Piripiri, na região rural de Almas.
O proprietário da fazenda, o piscicultor José Botelho, também registrou ganhos em sua produção ao adotar técnicas ministradas no curso. “Eu tinha muitas perdas por causa de manejo incorreto, com a adoção das boas práticas, a mortalidade caiu quase a zero”, comemorou.
Aulas práticas
Além de produtores, o curso engloba extensionistas, consultores, técnicos rurais e outros profissionais multiplicadores. O dia de campo contou ainda com mais 30 participantes que receberam aulas específicas sobre manejo alimentar dos peixes. Entre eles, estavam 20 alunos do Colégio Estadual Agropecuário de Natividade (TO) que elogiaram a experiência. “Tivemos pela primeira vez demonstrações práticas do que vimos em sala de aula como a biometria dos animais”, disse Frederico Neto, estudante do segundo semestre do curso técnico em zootecnia.
A biometria consiste na pesagem e medição de uma amostra contendo peixes de um tanque. Ela permite fazer o levantamento da biomassa que é o total de animais presentes no reservatório. Trata-se de uma informação fundamental para o produtor de acordo com a zootecnista Marcela Mataveli, da Embrapa Pesca e Aquicultura. “É a estimativa da biomassa que vai permitir, por exemplo, o cálculo da quantidade de ração adequada a ser lançada no tanque”, informou a especialista, “por isso, é muito importante que a biometria seja feita, pelo menos, a cada 15 dias”.
O pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Giovani Bergamin, alertou para a importância da escolha adequada da alimentação dos peixes. “A ração industrial extrusada contém em cada grânulo todos os nutrientes necessários para o peixe, por isso, é muito diferente da ração farelada feita na fazenda a partir da moagem e mistura de diversos ingredientes. Nesse caso, o peixe aproveitará somente os nutrientes das partículas que ele conseguir comer e não terá uma alimentação balanceada”, colocou Bergamin chamando a atenção para o fato de essa ração caseira ser popular em algumas pisciculturas.
As aulas práticas para os participantes da capacitação continuada ficaram a cargo do pesquisador Fabrício Rezende, da mesma Unidade da Embrapa. O especialista elogiou o empenho dos alunos do curso que se mostraram interessados e participativos em todas as aulas. “Todos participam ativamente do curso, o que possibilita uma troca de informações valiosa sobre a produção. Os participantes estão de parabéns”, elogiou o pesquisador.
Esse curso também contou com representantes de instituições financeiras que aproveitaram para se aprofundar em temas relacionados à aquicultura. O engenheiro agrônomo Hosterno Pereira da Silva Júnior, técnico do Banco da Amazônia (Basa) em Dianópolis (TO), considera a capacitação fundamental para garantir o sucesso do empreendimento rural e facilitar o financiamento bancário. “Conhecendo a atividade podemos avaliar a qualidade de um projeto e auxiliar no sucesso do empreendimento, que é o objetivo de todos”, explicou Silva Júnior.
Já o gerente do Banco do Brasil de Dianópolis, Rodrigo Leonardo Ribeiro, considerou a capacitação um canal de comunicação e de contato importante entre instituições financeiras e os produtores. “Essa interação nos permite conhecer os produtores mais de perto e ajuda a nos aproximar de sua realidade”, comentou.
Foonte: Embrapa Pesca e Aquicultura.
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