segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Associações de piscicultores trocam experiências na Embrapa

As dificuldades e as vantagens das associações de produtores voltadas à criação de peixes foram passadas em forma de experiências no dia 8 de novembro na sede da Embrapa Pesca e Aquicultura em Palmas (TO). Produtores, técnicos multiplicadores, especialistas, líderes de associações e profissionais do ramo reuniram-se para contar suas histórias e trocar informações no “Seminário troca de experiências associativas em piscicultura”, organizado pela Embrapa.

Estiveram presentes o superintentende da Pesca e Aquicultura no Tocantins, Guilherme Vaz Burns, o Grupo de Pesquisa em Cooperativismo e Extensão Rural da Universidade Federal do Tocantins (UFT), especialistas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), técnicos do Instituto de Desenvolvimento Rural to Tocantins (Ruraltins) e associações de piscicultores dos municípios de Almas, no sudeste do Tocantins, e de Divinópolis, centro-oeste do estado.

O encontro foi aberto pelo chefe geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Carlos Magno Campos da Rocha, que ressaltou a importância da união dos produtores na atividade agropecuária, especialmente nas propriedades familiares e de pequeno porte. “É preciso entender que unidos podemos muito mais e alcançamos conquistas que serão impossíveis se estivermos sozinhos”, disse. O chefe geral colocou o Centro de Pesquisa à disposição dos piscicultores e de suas associações. “O que nós fazemos aqui é para vocês, precisamos do trabalho de vocês para pautar o nosso. A Embrapa é de vocês”, afirmou.

Os produtores ouviram as experiências das associações de piscicultores de Jatobá, em Pernambuco, coordenadas pelo sacerdote católico Antônio Miglio, que contou a história da criação de peixes em tanques-rede naquele município iniciada em 2002. “Como o solo da região é pedregoso, não tínhamos muita opção na agropecuária em terra, por isso, resolvemos aproveitar o rio para desenvolver uma atividade econômica para os moradores”, narrou o padre.

O resultado foi a primeira associação formada por 12 moradores que assumiram a piscicultura em tempo integral. Entre as dificuldades enfrentadas no início estava a necessidade de estabelecer normas de convivência entre os associados que favorecessem o clima profissional na piscicultura. “De comum acordo, os associados estabeleceram que estariam proibidas armas e bebidas alcoólicas no ambiente de trabalho e seria mantida a limpeza e a ordem nesses locais. As regras geraram segurança e resultados positivos ao longo do tempo”, afirmou Miglio.

A experiência foi replicada por outras sete associações, no mesmo município de Jatobá, e inspirou outra em Petrolândia (PE). Juntas, elas operam 65 tanques-rede e produzem 20 tolenadas mensais de pescado. Toda renda é revertida para o caixa das próprias associações que remuneram igualmente os seus associados, garantindo o piso médio de dois salários mínimos a cada piscicultor.

Outra experiência compartilhada foi contada pelo piscicultor Lucio Alves, diretor administrativo da Associação Capixaba de Aquicultura (ACA) no município de Muniz Freire (ES). Com o auxílio do Sebrae, a associação recuperou um entreposto de pescado que havia sido financiado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). “Com essa unidade de beneficiamento, pudemos receber a produção de fazendas num raio de 150 quilômetros do entreposto”, contou Alves.

Produtora de tilápia, a ACA inseriu-se no programa de alimentação escolar e começou a abastecer escolas de 24 municípios no sul do Espírito Santo. “Hoje a demanda é muito maior que a oferta, e só não atendemos a região de Vitória porque a produção precisa crescer ainda mais”, disse ressaltando que neste ano a produção até agosto já ultrapassou 170 mil toneladas de tilápia entre filés e peixes in natura.

O entreposto da ACA emprega 18 trabalhadoras contratadas de assentamentos próximos. De acordo com o diretor, isso aumentou a renda da região e gerou uma alternativa de trabalho às mulheres desses assentamentos que, diferente dos homens, não encontravam espaço na agricultura nem no mercado de trabalho urbano.

No segundo momento, a Associação de Piscicultores de Divinópolis e depois a Associação de Piscicultores de Almas apresentaram suas entidades e na última etapa do encontro, os participantes foram divididos em grupos nos quais puderam debater e identificar problemas internos e gerar propostas de soluções por meio da elaboração de um projeto de intervenção. O evento foi encerrado com a apresentação dos encaminhamentos feita pelos próprios participantes.

“Esses momentos são importantes por promover o contato entre os piscicultores de diferentes regiões e o aprendizado por meio das experiências alheias. É enriquecedor poder conhecer as dificuldades e ver onde chegaram os membros de uma outra organização associativa que teve sucesso em sua gestão”, apontou o gestor de cooperativas Diego Neves, do setor de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pesca e Aquicultura.

Fonte: Embrapa Pesca e Aquicultura

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