As dificuldades e as vantagens das associações de produtores voltadas à
criação de peixes foram passadas em forma de experiências no dia 8 de
novembro na sede da Embrapa Pesca e Aquicultura em Palmas (TO).
Produtores, técnicos multiplicadores, especialistas, líderes de
associações e profissionais do ramo reuniram-se para contar suas
histórias e trocar informações no “Seminário troca de experiências
associativas em piscicultura”, organizado pela Embrapa.
Estiveram
presentes o superintentende da Pesca e Aquicultura no Tocantins,
Guilherme Vaz Burns, o Grupo de Pesquisa em Cooperativismo e Extensão
Rural da Universidade Federal do Tocantins (UFT), especialistas do
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae),
técnicos do Instituto de Desenvolvimento Rural to Tocantins (Ruraltins) e
associações de piscicultores dos municípios de Almas, no sudeste do
Tocantins, e de Divinópolis, centro-oeste do estado.
O encontro
foi aberto pelo chefe geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Carlos Magno
Campos da Rocha, que ressaltou a importância da união dos produtores na
atividade agropecuária, especialmente nas propriedades familiares e de
pequeno porte. “É preciso entender que unidos podemos muito mais e
alcançamos conquistas que serão impossíveis se estivermos sozinhos”,
disse. O chefe geral colocou o Centro de Pesquisa à disposição dos
piscicultores e de suas associações. “O que nós fazemos aqui é para
vocês, precisamos do trabalho de vocês para pautar o nosso. A Embrapa é
de vocês”, afirmou.
Os produtores ouviram as experiências das
associações de piscicultores de Jatobá, em Pernambuco, coordenadas pelo
sacerdote católico Antônio Miglio, que contou a história da criação de
peixes em tanques-rede naquele município iniciada em 2002. “Como o solo
da região é pedregoso, não tínhamos muita opção na agropecuária em
terra, por isso, resolvemos aproveitar o rio para desenvolver uma
atividade econômica para os moradores”, narrou o padre.
O
resultado foi a primeira associação formada por 12 moradores que
assumiram a piscicultura em tempo integral. Entre as dificuldades
enfrentadas no início estava a necessidade de estabelecer normas de
convivência entre os associados que favorecessem o clima profissional na
piscicultura. “De comum acordo, os associados estabeleceram que
estariam proibidas armas e bebidas alcoólicas no ambiente de trabalho e
seria mantida a limpeza e a ordem nesses locais. As regras geraram
segurança e resultados positivos ao longo do tempo”, afirmou Miglio.
A
experiência foi replicada por outras sete associações, no mesmo
município de Jatobá, e inspirou outra em Petrolândia (PE). Juntas, elas
operam 65 tanques-rede e produzem 20 tolenadas mensais de pescado. Toda
renda é revertida para o caixa das próprias associações que remuneram
igualmente os seus associados, garantindo o piso médio de dois salários
mínimos a cada piscicultor.
Outra experiência compartilhada foi
contada pelo piscicultor Lucio Alves, diretor administrativo da
Associação Capixaba de Aquicultura (ACA) no município de Muniz Freire
(ES). Com o auxílio do Sebrae, a associação recuperou um entreposto de
pescado que havia sido financiado pelo Ministério do Desenvolvimento
Agrário (MDA). “Com essa unidade de beneficiamento, pudemos receber a
produção de fazendas num raio de 150 quilômetros do entreposto”, contou
Alves.
Produtora de tilápia, a ACA inseriu-se no programa de
alimentação escolar e começou a abastecer escolas de 24 municípios no
sul do Espírito Santo. “Hoje a demanda é muito maior que a oferta, e só
não atendemos a região de Vitória porque a produção precisa crescer
ainda mais”, disse ressaltando que neste ano a produção até agosto já
ultrapassou 170 mil toneladas de tilápia entre filés e peixes in natura.
O
entreposto da ACA emprega 18 trabalhadoras contratadas de assentamentos
próximos. De acordo com o diretor, isso aumentou a renda da região e
gerou uma alternativa de trabalho às mulheres desses assentamentos que,
diferente dos homens, não encontravam espaço na agricultura nem no
mercado de trabalho urbano.
No segundo momento, a Associação de
Piscicultores de Divinópolis e depois a Associação de Piscicultores de
Almas apresentaram suas entidades e na última etapa do encontro, os
participantes foram divididos em grupos nos quais puderam debater e
identificar problemas internos e gerar propostas de soluções por meio da
elaboração de um projeto de intervenção. O evento foi encerrado com a
apresentação dos encaminhamentos feita pelos próprios participantes.
“Esses
momentos são importantes por promover o contato entre os piscicultores
de diferentes regiões e o aprendizado por meio das experiências alheias.
É enriquecedor poder conhecer as dificuldades e ver onde chegaram os
membros de uma outra organização associativa que teve sucesso em sua
gestão”, apontou o gestor de cooperativas Diego Neves, do setor de
Transferência de Tecnologia da Embrapa Pesca e Aquicultura.
Fonte: Embrapa Pesca e Aquicultura
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