terça-feira, 6 de março de 2012

Embrapa começa a fazer catálogo de peixes

Um catálogo com imagens e informações de espécies de peixes do lago da Usina Hidrelétrica de Lajeado começou a ser elaborado pela Embrapa Pesca e Aquicultura, em Palmas (TO), com apoio do Ministério da Pesca e Aquicultura e em parceria com a Universidade Federal do Tocantins (UFT).

A publicação incluirá fotografias dos animais coletados e dos filés ou postas produzidas a partir daquela espécie. Também haverá informações como descrição da espécie, nome científico, nome vulgar e o tipo de alimentação. Outro dado importante que poderá ser oferecido é a composição centesimal que especifica a quantidade de nutrientes que há em uma porção de 100 gramas de amostra.

"Com isso, podemos identificar espécies que proporcionem alto valor nutricional aliado a um bom rendimento da carcaça”, explica a pesquisadora Patrícia Mochiaro da Embrapa Pesca e Aquicultura apostando no potencial de espécies ainda pouco conhecidas do mercado consumidor.

Mandi moela (Pimelodina flavipinnis), mapará (Hypophthalmus marginatus) e cuiu-cuiu (Oxydoras niger) estão entre as espécies mais promissoras avaliadas pela pesquisa. O trabalho se inicia com a coleta dos animais no lago da Usina, tarefa executada pela UFT. No laboratório, os peixes são pesados e medidos e após a evisceração é feita a relação da proporção de vísceras e filés obtidos.

“No mapará, por exemplo, o filé chega a representar até 70% do total da carcaça, um rendimento considerado excelente para um peixe”, avalia Patrícia. O catálogo ainda trará uma sugestão de preparo culinário adequado para cada espécie que será desenvolvido por profissionais de gastronomia.

Outro dado coletado é a cor das carnes filetadas. Trata-se de uma informação importante e que está associada a certos padrões de consumo. Para o salmão, por exemplo, a preferência popular aponta para tons mais alaranjados, já com o atum, as tonalidades mais avermelhadas são mais valorizadas no mercado.

A leitura da cor é feita por um colorímetro digital. “Fazemos três leituras de pontos diferentes da peça para obter uma média”, esclarece Leandro Kanamaru, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura que também participa do projeto. O instrumento, de acordo com o especialista, fornece medidas objetivas dos espectros de cor o que permite distinguir diferenças sutis entre os filés de cada espécie.

A palatabilidade, ou o sabor de cada peixe, também será avaliada através de análises sensoriais que vão sondar a aceitação do produto junto ao mercado consumidor.

Fotografia de peixes

Os animais são também fotografados, assim como os seus filés e os pratos elaborados com ele. Para isso, a Embrapa Pesca e Aquicultura conta com o apoio do Ministério da Pesca e Aquicultura com recursos para a aquisição de equipamentos fotográficos e para a montagem de um laboratório de fotografia especializado em espécies aquáticas.

Patrícia acredita que o trabalho de registro das espécies é importante em vários aspectos, serve de registro científico da fauna aquática nesse ambiente, auxilia no levantamento de informações sobre os peixes e pode gerar descobertas de novas espécies interessantes para a indústria do pescado.

“Podemos aliviar a pressão de pesca sobre as espécies atualmente consumidas e encontrar novos peixes que poderão compor o prato do brasileiro”, aposta Patrícia ressaltando a imensa diversidade de espécies que habitam as águas do País.

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