Estimular a produção de Peixes no Tocantins e em todo o Brasil e demonstrar a viabilidade econômica da atividade. Este foi o tema do Seminário “Caiu na Rede é Lucro”, realizado no dia 26 de março, pela FAET - Federação da Agricultura e Pecuária, Senar/TO – Serviço de Aprendizagem Rural do Tocantins e CNA – Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil. O evento faz parte da programação do “Ano da Multiplicação dos Peixes”, que foi lançado em novembro de 2011 pela Senadora Kátia Abreu, com o objetivo de proporcionar o aumento da produção. O Tocantins produz, atualmente, sete milhões de toneladas ao ano, e a meta é atingir 15 milhões de toneladas até o final de 2012.
Durante o seminário, a Senadora afirmou que a primeira ação da Federação foi reunir produtores e a indústria para identificar as principais necessidades do setor. O licenciamento ambiental foi identificado como um item importante a ser resolvido. Para isso, a legislação específica foi regularizada, através da Resolução nº 27 do Conselho Estadual do Meio Ambiente, que estabelece normas e critérios para o licenciamento ambiental da aquicultura no estado do Tocantins e visa o desenvolvimento sustentável da atividade. Uma vez credenciado, o produtor, além de demonstrar os requisitos técnicos, poderá ter acesso ao crédito para financiar sua produção.
O Chefe da Embrapa Pesca e Aquicultura, Carlos Magno Campos da Rocha, enfatizou as potencialidades do Tocantins, que possui clima favorável o ano inteiro para a piscicultura e atrai empreenderes de todo o país: “a região é a segunda maior bacia hidrográfica do Brasil, com 120 mil hectares de lâmina de água em barragens , 25 mil hectares de áreas propícias a instalação de viveiros e grandes lagos recentemente construídos”.
Carlos Magno ressaltou que hoje o estado ocupa o 24º lugar no ranking dos produtores de peixes do Brasil: “a meta é colocar o Tocantins entre os cinco primeiros. E para isso é importante aplicar a tecnologia, organizar a cadeia produtiva, incentivar o credenciamento e agregar valor ao produto”.
A piscicultura favorece, também, outros ramos do agronegócio. Para cada 1000 hectares de lâmina de água são necessários 14.000 hectares de cultivo de milho e soja para a fabricação de ração. “A ração representa em torno de 60 a 70% do custo da produção do Tambaqui (Colossoma macropomum ), e uma das ações da Embrapa é proporcionar a qualificação técnica para a produção da ração no Estado e aumentar a lucratividade do negócio”, exemplificou Rocha.
Viabilidade Econômica Mundial
Em palestra proferida no evento, o economista do BNDES, José Alves Júnior, afirmou que a demanda por pescados cresceu muito nos últimos anos e a previsão do comércio de produção até 2030 é para dois milhões de toneladas por ano. “Deste mercado, vinte por cento de tudo o que é produzido é para exportação entre países, do ponto de vista do comércio exterior”, argumentou.
“O preço médio da tonelada teve um aumento de 55% no período de 2001 a 2008, sendo o valor inicial de US$ 2.044,60 e o final de US$ 3.174,40. Estes números revelam que a próxima fronteira de produção de proteína animal no mundo é o peixe”, explicou Alves.
Neste contexto, o economista destacou que o licenciamento ambiental é de extrema importância para que o os piscicultores do Estado estejam aptos para concorrer com o mercado mundial, que tem uma política de comércio exterior agressiva. “O credenciamento demonstra que há um padrão ambiental elevado, como vantagem competitiva, qualificação e formalização da mão de obra, e é uma estratégia para os produtores”, concluiu.
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