Após realizar uma série de entrevistas
com os agricultores familiares de Divinópolis e Abreulândia, a Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária,Embrapa, representada pela equipe que compõe o “Projeto
Divinópolis – Inovação Tecnológica na Piscicultura Familiar”, apresentou os
resultados do diagnóstico. A atividade, denominada Devolutiva, foi realizada no
centro de cultura da cidade de Divinópolis (TO), no dia 30 de agosto. O
objetivo do Diagnóstico Rápido Participativo (DRP) foi conhecer a realidade da
piscicultura no sistema de produção da agricultura familiar dos dois
municípios, para levantar demandas tecnológicas e não tecnológicas.
O pesquisador da Embrapa, Adriano Prysthon,
explicou que esta etapa se relaciona ao retorno das informações geradas no DRP
aos piscicultores, para devolver e analisar coletivamente os resultados do
diagnóstico, assim como eleger as prioridades. Os resultados foram expostos
publicamente em painéis com fotos e ilustrações das técnicas aplicadas no DRP,
mobilizando novamente os grupos sociais envolvidos com a piscicultura, compostos
por piscicultores e parceiros. “Esta exposição é um momento de validação dos
resultados e pré-análise dos mesmos”, explicou Prysthon.
“O objetivo da etapa Devolutiva é
expor e debater as informações, analisar os problemas considerados mais
importantes e realizar a identificação das possíveis soluções. Para isso, as
demandas foram categorizadas em função do caráter técnico, ambiental, social e
econômico”, pontuou o pesquisador.
As categorias destacadas foram a saúde
dos peixes, a gestão da piscicultura, os problemas com alevinos e a falta de
planejamento na construção dos viveiros e barragens. Foram diagnosticados,
também, a falta de organização entre produtores e a necessidade de formação de
uma associação ou uma cooperativa, bem como a necessidade de obtenção da
licença ambiental e da realização de um projeto para a implantação adequada dos
viveiros. Outra demanda apontada nos estudos foi a importância da qualidade da
água em todas as fases do cultivo.
Diante desta exposição, os
piscicultores puderam definir e priorizar as ações a serem geradas para
solucionar os problemas. A assembleia elegeu as 10 prioridades para compor a
lista de demandas a serem tratadas, na seguinte ordem: licença ambiental;
estrutura de viveiro inadequada; falta de crédito; falta de água no fim do
cultivo; custo de produção muito alto; manejo da piscicultura; qualidade do
alevino; pouca assistência técnica; organização social e dificuldade de venda.
Demandas
Tecnológicas e Não tecnológicas
O pesquisador da Embrapa Pesca e
Aquicultura e líder do projeto, Manoel Xavier Pedrosa Filho, ressaltou que as
demandas priorizadas pelos produtores na reunião de devolutiva dos resultados
do DRP serão divididas em demandas tecnológicas e não tecnológicas. “As
demandas tecnológicas, como manejo de ração, qualidade da água, construção de
viveiros, por exemplo, serão tratadas diretamente pela equipe da Embrapa,
através de ações de transferência de tecnologia. Serão realizados dias de campo
e treinamento de multiplicadores. Além disso, uma rede de referência, formada
por 10 piscicultores, será acompanhada pelo projeto”, disse.
Pedrosa explicou, também, que as demandas tecnológicas serão trabalhadas por meio de ações de pesquisa, haja vista a existência de problemas técnicos mais complexos como o manejo de água no período da estiagem e o uso de alimento alternativo.
“As demandas não tecnológicas serão encaminhadas às instituições parceiras responsáveis pelo tema em questão, como por exemplo o licenciamento ambiental e a assistência técnica. Além disso, foi formado um fórum permanente, articulado pelo Projeto Divinópolis, composto pelos produtores e instituições parceiras, para encaminhar e monitorar o tratamento dessas demandas”, conclui Pedrosa.
Neste evento participaram 37
piscicultores e representantes das empresas parceiras do projeto, Instituto de Desenvolvimento
Rural do Tocantins (Ruraltins), Núcleo de Economia Aplicada da Universidade
Federal do Tocantins (UFT), Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e Agência
de Defesa Agropecuária do Estado do Tocantis (Adapec).
Fonte: Embrapa Pesca e Aquicultura
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