sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Continua capacitação dos piscicultores familiares de Divinópolis (TO)

O “Projeto Divinópolis – Inovação Tecnológica na Piscicultura Familiar”, coordenado pela Embrapa Pesca e Aquicultura no âmbito da carteira macroprograma 6, promoveu mais um dia de campo para produtores das regiões de Divinópolis e Abreulândia. O encontro realizado na manhã do dia 26 de setembro, na Chácara Santa Inês em Divinópolis, reuniu 30 piscicultores e dez técnicos agrícolas que multiplicarão o conhecimento para outras regiões.

Especialistas da Embrapa passaram informações importantes sobre como preparar os viveiros para receber os peixes, como fazer o povoamento dos tanques além de conceitos básicos de alevinagem.

O pesquisador Giovani Bergamin ensinou a preparar os viveiros antes de começar o povoamento. Técnicas como o esvaziamento do viveiro e a secagem ao sol possibilitam a eliminação de microrganismos. A desinfecção e o ajuste da alcalinidade também foram tratados pelo profissional. “Caso o pH e a alcalinidade da água não sejam ajustados, o produtor jogará dinheiro fora pois a adubação não fará efeito”, alertou.

Por fim, Bergamin apresentou métodos de adubação da água que envolvem adubos químicos ou orgânicos e ajudam a formar o fitoplâncton e o zôoplancton, minúsculos vegetais e animais que servem de alimento aos peixes e economizam na aplicação de ração.

O povoamento do viveiro foi ensinado pela pesquisadora Patrícia Maciel que falou sobre a importância da homogeneidade do lote de peixes comprados. Peixes de tamanhos diferentes acabam gerando uma competição desigual no mesmo viveiro, na qual os grandes acabam se desenvolvendo mais e os menores acabam desaparecendo.

A pesquisadora também chamou a atenção para os cuidados que se deve ter no transporte dos alevinos. Respeitar o tempo de viagem recomendado e o número máximo de peixes por quantidade de água são pontos fundamentais para que os animais cheguem saudáveis. “O condutor deve dirigir devagar e tranquilamente, pois movimentos bruscos podem ferir os peixes”, recomendou.

A pesquisadora Adriana Lima apresentou o tema “Alevinagem” que englobou cuidados com os principais predadores e a atenção para o tamanho da ração que deve ser de tamanho adequado para os peixes pequenos. Adriana mostrou como se usa do disco de secchi, utilizado para medir o nível de transparência da água.

Distribuir a ração de maneira homogênea sobre toda a superfície da água é um dos pontos mais defendidos pela especialista. Se a ração for lançada somente de um ponto do viveiro, nem todos os peixes conseguirão se alimentar e muita ração poderá ser desperdiçada.

O ponto mais enfatizado pela pesquisadora foi a necessidade de se registrar diariamente os dados da criação, como quantidade e tipo de ração dispensada, horários de alimentação, as condições do tempo e alterações significativas como peixes mortos ou se os animais não aparecerem para comer.

Toda a parte teórica foi vista também de forma prática logo após as apresentações nos viveiros da Chácara Santa Inês. Divididos em grupos, os participantes puderam experimentar a maneira correta de colocar os peixes no viveiro, de fazer a adubação  e o lançamento de ração. Também analisaram as características desejáveis de tanques secos para receber uma criação e nos viveiros cheios, puderam averiguar a turbidez da água por meio do disco de secchi.

A presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), Miyuki Hyashida, esteve presente no dia de campo e elogiou o desenvolvimento do Projeto Divinópolis. “Não é só o grande produtor que pode trabalhar com peixe, é um mercado lucrativo também para os pequenos e com a ajuda da Embrapa vamos elevar a importância da aquicultura no cenário nacional”, pontuou a presidente que também é piscicultora.

O chefe geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Carlos Magno Campos da Rocha, disse aos piscicultores familiares que eles também fazem parte do trabalho da Empresa ao trazer aos pesquisadores suas necessidades e as suas experiências no campo. “A Embrapa precisa também da participação dos piscicultores familiares para poder fazer o seu trabalho”, frisou.

O Projeto Divinópolis

Esse foi o segundo dia de campo realizado pelo Projeto Divinópolis, que seguirá uma série de temas baseados nas demandas dos produtores. O primeiro foi realizado em fevereiro e tratou da construção de viveiros escavados .

Em encontros posteriores foi aplicada a metodologia de diagnóstico rápido participativo , por meio da qual os próprios produtores levantam os principais problemas e prioridades que devem ser trabalhados. “Esse diagnóstico guiará as ações do projeto que focará nas demandas priorizadas pelos piscicultores da região”, esclareceu o pesquisador Manoel Predroza, que coordena o projeto.

Todo o conteúdo trabalhado no projeto está em um material de apoio que é disponibilizado gratuitamente na página da Embrapa Pesca e Aquicultura. Os panfletos com os temas trabalhados no dia 26: “Alevinagem”, “Povoamento de Viveiros” e “Preparação de Viveiros” estarão na página dentro de 20 dias.


Fonte: Embrapa Pesca e Aquicultura

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