segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Embrapa debate questões da pesca e da aquicultura no Senado



Os entraves nos sistemas produtivos da pesca e da aquicultura no Brasil foram o ponto central da audiência pública realizada no dia 23 de novembro na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado Federal. Entre os especialistas ouvidos, estava o chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pesca e Aquicultura, Ariovaldo Luchiari Júnior.

Luchiari afirmou que o Brasil deverá responder por 20% da produção de alimentos do planeta por volta do ano de 2030. “Até lá, a produção de alimentos deverá crescer, pelo menos, cerca de 40% e a aquicultura será imprescindível para alcançar esse crescimento”, colocou o especialista informando que o setor encontra-se em franco crescimento. “Entre as atividades agropecuárias, a aquicultura foi a que mais cresceu em 2011 e representa um mercado maior que o de bovinos, aves e suínos”, disse.

A Secretária de Planejamento e Ordenamento da Aquicultura do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), Maria Fernanda Nice Ferreira, apontou um déficit de um bilhão de dólares na balança comercial brasileira de pescado, demonstrando que o Brasil ainda depende muito da importação do produto.

Ao mesmo tempo, o País possui ótimas perspectivas de produção aquícola tanto de água doce como salgada. “Há muitas espécies de grande potencial comercial, como o pirarucu e o tambaqui, que são muito pouco exploradas”, argumentou Luchiari da Embrapa.

A fim de reverter esse quadro, o Governo Federal lançou o Plano Safra da Pesca e da Aquicultura que disponibiliza R$4,1 bilhões de reais para diversos agentes que atuam no setor, em especial marisqueiras e pescadores artesanais. “O pescador ou a marisqueira só precisa apresentar a sua carteira de registro e receber o empréstimo que, além dos juros baixos, tem 25% de desconto para os que pagarem em dia”, anunciou o ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella. Esse dinheiro já está disponível em três instituições financeiras, Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia.

Segundo comparou Crivella, é possível produzir 100 toneladas de peixe por cada hectares de água continental, enquanto que a mesma área de pastagem produz uma tonelada de bovinos.

O MPA acredita que o aumento da produção e, por consequência, da oferta de pescado fará os preços cair e o produto passar para o cardápio da maioria dos brasileiros. Ao mesmo tempo, esse mercado promoverá o desenvolvimento social e econômico de milhares de famílias de piscicultores e de pescadores que estarão inseridos nele, segundo vislumbra o ministro Crivella.

O representante da Embrapa destacou que a empresa desenvolve tecnologias buscando não só a competitividade do setor, mas também a sustentabilidade. Entre as ações desenvolvidas pela instituição de pesquisa, Ariovaldo Luchiari Junior destacou a atuação na área de reprodução, sanidade, nutrição, alimentação e de boas práticas de manejo da produção e do processamento dos peixes que, segundo ele, interferem diretamente na qualidade do produto.

Durante a audiência pública, diversos pescadores puderam fazer perguntas à distância por meio de um equipamento de videoconferência e também pela internet.


(com informações da Agência Senado)

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