Num
trabalho inédito no país por seu grau de detalhamento, pesquisadores da Embrapa
Pesca e Aquicultura vão analisar o reservatório e indicar áreas apropriadas
para criação de peixes e o número máximo de animais que o reservatório suporta.
Uma pesquisa de três anos analisará o potencial do
reservatório da usina hidrelétrica (UHE) Peixe Angical, no município de Peixes
(TO), para a piscicultura. Coordenado pela pesquisadora Flávia Tavares, da
Embrapa Pesca e Aquicultura, de Palmas (TO), o trabalho indicará as áreas
apropriadas do lago para a criação de peixes e diversos parâmetros que visam à
sustentabilidade desses empreendimentos.
“Trata-se de um detalhado levantamento de dados que
envolverá pesquisas em campo e de laboratório”, conta Flávia. A digestibilidade
dos componentes de uma ração será estudada em laboratório e a análise dos
excrementos dos animais mostrará as substâncias que poderão impactar no
ambiente e as suas respectivas quantidades. Do mesmo modo, os restos de ração
não consumida pelos peixes também serão estimados.
Esses dados, somados a outros parâmetros, servirão
de base para a indicação da capacidade máxima de cada área do reservatório
destinado à piscicultura, chamada de capacidade de suporte. Trata-se de uma
informação valiosa para empreendimentos do mesmo gênero, pois será aplicável em
outros reservatórios tropicais.
Orçado em cerca de R$ 900 mil, o projeto de
pesquisa é financiado pela Enerpeixe, empresa operadora da UHE Peixe Angical,
por meio da Lei nº 9.991/2000 que destina o investimento mínimo de 0,75% da
receita das empresas autorizadas do setor elétrico em pesquisa e
desenvolvimento. O projeto apresentado pela Embrapa teve a anuência da Agência
Nacional de Energia Elétrica que o avaliou com nota 4, em uma escala que vai de
0 a 5.
A primeira etapa do trabalho envolverá o zoneamento
do reservatório de 294m2 de lâmina d’água por meio de ferramentas de
sensoriamento remoto. “Nessa fase, indicaremos as áreas adequadas para a criação de peixes”, informou Flávia
explicando que serão excluídos trechos próximos a captação de água ou
lançamento de esgoto, zonas de paliteiros, rotas de navegação, locais muito expostos
a ventos ou de baixa renovação de água.
Serão levados em conta também parâmetros de
qualidade da água, aspectos hidrodinâmicos, fatores socioeconômicos das
comunidades que atuarão nessas pisciculturas e o acesso delas aos locais de
cultivo. A circulação hidrodinâmica do reservatório será estudada por meio de
modelos computacionais.
A região do entorno do reservatório de Peixe
Angical abriga comunidades de pescadores, pequenos agricultores, moradores que
tiveram de ser realocados após a inundação da barragem e também comunidades
quilombolas. “O projeto possibilitará a elaboração de um plano de uso e
ocupação do entorno do reservatório a partir da localização de todos esses
possíveis usuários inclusive grandes empresários que se interessem em investir
na atividade”, prevê Flávia.
O mapa de favorabilidade a ser criado pelo projeto
indicará as áreas aptas para criação de tambaquis (Colossoma macropomum), espécie recentemente aprovada pelo
Ministério da Pesca e Aquicultura para criação a bacia do rio Tocantins. O
tambaqui será estudado em laboratório e no ambiente natural e as tecnologias
envolvidas na sua produção serão transferidas aos criadores e técnicos por meio
do setor de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pesca e Aquicultura.
A pesquisa envolverá todo o ciclo produtivo do
peixe, da fase de alevinos até o abate e processamento, e desenvolverá uma
metodologia que poderá ser replicada com outros reservatórios. Além dos dados
zootécnicos envolvidos, o projeto abrangerá ainda os aspectos climáticos,
químicos e biológicos do reservatório.
Os pesquisadores da Embrapa trabalharão em parceria
com a Universidade de Guelph, no Canadá, reconhecida por seu trabalho em
nutrição de peixes, e com a Universidade de Stirling, na Escócia, que tem
grande experiência em modelagem computacional. “Será uma ótima oportunidade
para o desenvolvimento da piscicultura em reservatórios no Brasil”, acredita a
pesquisadora.
Fonte: Embrapa Pesca e Aquicultura
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