(Ministério da Pesca e Aquicultura) - O
presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), Luciano Coutinho, proferiu no fim de junho, em
Brasília, a palestra “Financiamento à Pesca e à Aquicultura”. Na
plateia, estavam os dirigentes do Conselho Nacional de Aquicultura e
Pesca (CONAPE) e empresários do setor. O ministro Crivella lembrou, na
oportunidade, que recente estudo do BNDES apontou a aquicultura como um
novo “pré-sal” para o Brasil.
Para
fortalecer a aquicultura nacional, Luciano Coutinho defendeu a criação
de empresas âncoras, mais robustas e com maior capacidade tecnológica e
gerencial. Elas estariam aptas a atingir maiores escalas de produção e
de rentabilidade, com produtos mais diversificados. Cuidariam em
melhores condições de aspectos como produção, assistência técnica,
beneficiamento, comercialização e crédito. E estas empresas auxiliariam
as demais a superarem problemas nestas áreas, tornando o setor mais
dinâmico. Estas empresas âncoras precisariam, entretanto, de recursos e
tecnologia. Os recursos poderiam, por exemplo, ser provenientes de
fundos criados especialmente para isto. Para o desenvolvimento
tecnológico recomendou programas de inovação.
A
agenda de implementação e operacionalização de programas de apoio e
incentivo, segundo ele, demandará a participação não apenas do BNDES,
mas de outras instituições financeiras públicas, bem como de outros
ministérios e órgãos. Já para a pesca artesanal, Coutinho recomendou o
fortalecimento de cooperativas.
Diagnóstico
Luciano Coutinho disse que o BNDES, a partir de um acordo com o Ministério da Pesca e Aquicultura em março de 2011, criou um
Grupo de Trabalho em Aquicultura, que resultou em um diagnóstico do
setor. Segundo ele, o desenvolvimento da pesca e aquicultura no Brasil é
um “tema estratégico para o BNDES”, tendo em vista que o País dispõe de
todas as condições para ter “um futuro brilhante” no setor. E pode,
inclusive, se tornar “uma grande plataforma exportadora de pescado”, de
forma a suprir à crescente demanda do mercado internacional, onde a
proteína de pescado é a mais consumida. Desta forma, o pescado mundial
se torna “uma janela de oportunidades” para o Brasil, que possui
excepcionais condições de produção face aos seus imensos recursos
hídricos no continente e no mar.
Apesar
de seu otimismo, Luciano Coutinho lembrou que o Brasil ainda tem uma
produção pesqueira modesta e demanda importações para o abastecimento
interno. Em 2011, o déficit neste quesito, na balança comercial
brasileira, foi da ordem de US$ 1 bilhão.
Luciano
Coutinho salientou que os maiores produtores de pescado só atingiram
este patamar após o apoio e estímulo do aparato estatal. E o mesmo
precisa ocorrer no Brasil. Por isto, entre as vantagens comparativas do
País, além das condições naturais, ele incluiu a existência do
Ministério da Pesca e Aquicultura e de instituições de pesquisa como a
Embrapa.
O
diagnóstico do BNDES revelou que a maioria das empresas dedicadas à
aquicultura no Brasil é de pequeno porte, não processando mais do que 4
mil toneladas anuais. A aquicultura será o grande filão para o aumento
da produção nacional, como ocorre internacionalmente. E este segmento já
cresce 10,3% ao ano desde 2009 no Brasil.
O estágio atual é, na visão de Luciano Coutinho, o de “qualificar as empresas âncora”, e não, ainda, o de consolidar o setor.
O
presidente do BNDES colocou a sua equipe à disposição dos conselheiros
do CONAPE para discutir problemas específicos e também para estruturar
as próximas ações. Ele se comprometeu a estudar medidas que tornem as
linhas de crédito do banco mais acessíveis aos aquicultores e
pescadores, ao levar em conta as características de suas atividades.
Muitos piscicultores, por exemplo, têm dificuldades em apresentar
garantias, porque a sua atividade é exercida em águas da União, e não em
fazendas, como ocorre geralmente na agropecuária.
Abaixo se encontra disponível os slides da palestra do presidente do BNDES, Luciano Coutinho.
Nenhum comentário:
Postar um comentário