terça-feira, 10 de julho de 2012

Aquaciência começa com mudanças climáticas

A aquicultura pode contribuir de forma considerável para o balanço de carbono uma vez que não depende de áreas ocupadas por florestas como outros tipos de produção de alimentos.  Com esse mote, Eduardo Delgado Assad, pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária abriu o 5º Congresso da Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática – Aquaciência 2012, que acontece de 1º a 5 de julho em Palmas (TO).

No entanto, ele chamou a atenção para a falta de dados de observação nesse setor, o que impede a construção de argumentos favoráveis à aquicultura de maneira mais específica. “A aquicultura ainda não consegue quantificar os gases de efeito estufa que ela libera ou retém, tornando difícil apresentá-la no contexto do impacto ao clima”, colocou o pesquisador.

Assad apresentou um histórico da medição das mudanças climáticas e apontou os motivos que levaram a maior parte da comunidade científica mundial a crer que a temperatura do planeta está aumentando de maneira perigosa. As temperaturas noturnas e dos períodos de inverno aumentaram substancialmente e num período muito curto. “Mudanças de temperatura que acompanhavam ciclos de 160 mil anos foram observadas em pouco mais de cem anos”, alertou.

As marcas dos combustíveis fósseis deixadas no ar e nos corais em oceanos também foram apresentadas como sinais da ação humana nas mudanças climáticas. Até o momento, as alterações feitas pelo homem já acrescentaram cerca de 1oC à temperatura média do planeta, que costumava girar em torno de 15oC.

Entre os efeitos mais nocivos do aumento da temperatura está na diminuição das vazões dos rios. De acordo com um estudo apresentado na Conferência Rio +20 e trazido por Assad, o rio São Francisco poderá ter seu volume reduzido em até 25% e a bacia do Araguaia-Tocantins, em 15%.

Outro efeito nocivo aos corpos d’água será o agravamento da eutrofização. Sem proteção de matas ciliares, rios e lagos serão cada vez mais expostos ao carreamento de fertilizantes agrícolas como nitrogênio e fósforo, provocando morte nesses ambientes aquáticos.

O modo de se construir e gerenciar as usinas hidrelétricas também é um ponto a ser estudado. Além de ter de medir o impacto das instalações dessas usinas, há de se medir as emissões de metano gerado pela decomposição de florestas alagadas e também pelas turbinas.

A aquicultura, segundo Assad, necessita entrar o quanto antes nas medidas de mitigação dos gases de efeito estufa. O que torna mais urgente a execução de pesquisas a respeito. “O Brasil é o segundo país do mundo na apresentação de mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL), todavia em todo o enorme portfólio de projetos que o país detém, não há um sequer a respeito de aquicultura”, colocou.

Como sugestão, Eduardo Assad apontou a necessidade de medições nas criações aquícolas intensivas, a realização de estudos sobre os impactos dos eventos extremos na aquicultura e, sobretudo, a realização de muitas pesquisas científicas nessa área.

Fonte: Embrapa Pesca e Aquicultura


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